Vereadores situacionistas prometem 21 empresas ‘de imediato’ com aprovação do PDEO

Na sessão de segunda-feira havia até ‘claque’ nas galerias, sob o pretexto de protestar por emprego, quando a base do prefeito Cunha aproveitou para atacar os independentes

Os vereadores Hélio Lisse Júnior (PSD) e Antônio Delomodarme, o Niquinha (Avante), garantiram em seus discursos na sessão ordinária de segunda-feira, 1º de julho que, assim que o projeto de Lei 5.500/2019, que trata do Programa de Desenvolvimento Econômico de Olímpia-PDEO, for aprovado, nada menos que 21 empresas virão se instalar no Distrito Industrial III. O projeto foi retirado da pauta da sessão anterior, de 22 de junho, sem prévio aviso ou, “às escondidas”, como entendeu o vereador Gustavo Pimenta (PSDB).

Até então, Niquinha vinha sustentando e anunciando que viriam para Olímpia 17 empresas, enquanto Lisse sustentava serem 21. Porém, na segunda-feira o presidente corrigiu-se e passou a acompanhar os números de Lisse. Duvidando desta promessa, Flávio Olmos (DEM) disse que se ela se cumprir de imediato, como estão garantindo, ele renuncia ao seu cargo de vereador.

“Nós opinamos que dá para melhorar o projeto, essa é a função do vereador, não a de só falar amém e ser pau-mandado do prefeito”, atacou Gustavo Pimenta, em resposta às agressões políticas feitas por Lisse e Niquinha. Ambos se aproveitaram do clima favorável em vista da “claque” presente nas galerias, desta feita com o consentimento do presidente, e atacaram os vereadores independentes, fazendo o público crer que eles não aprovaram a propositura, “porque são contra a geração de empregos”.

Ao contrário do que costuma fazer quando os protestos são de oposição à Casa ou ao governo, desta feita Niquinha até parabenizou os manifestantes presentes à sessão. Depois discursou: “Passou o projeto e foi rejeitado por seis votos a quatro, para trazer 21 empresas. Eram 17, aumentou mais quatro. E já tem as pessoas querendo se instalar”, revelou o vereador, dando a entender que já se sabe quem terá o seu espaço, embora o projeto preveja licitação de terrenos.

“Eu, como presidente, mandei retornar o projeto original, rejeitado, depois, nós vereadores, vamos acrescentar alguma coisa, vamos consertar”, continuou. A mudança no projeto reencaminhado para votação foi a retirada do inciso que isentava a prefeitura da execução de terraplenagem nos terrenos licitados, conforme o projeto anterior trazia. Pela lei em vigor, o município fica obrigado a ceder a terraplenagem.

“Não deveria ter sido rejeitado, nós somos responsáveis para consertar”, complementou Niquinha, que ainda comprometeu o voto do vereador Luiz Antonio Ribeiro, o Luiz do Ovo (DEM). “Graças ao Luiz do Ovo, que prometeu para este presidente, dando a palavra que vai votar favorável, e assim já temos os sete votos que precisamos”.

Já em seu discurso, Flávio Olmos voltou a criticar o fato de a Lei isentar empresas por cinco anos, com 75% do IPTU, na lei em vigência, e o prefeito, no projeto, ter reduzido o prazo para dois anos, bem como a isenção da execução de infraestrutura por parte do município.

“Falam que vêm 21 empresas novas. Se vierem estas 21 empresas, mas novas, não as que já estão aí, eu renuncio ao meu cargo, eu tenho esta coragem. Mas tem que ser 21 empresas com CNPJ diferentes, não as que já estão aí, como a Aliança, a Nalitek, o Laticínio. Outras 21 novas empresas, cada uma gerando pelo menos 50 empregos, eu renuncio. Estão usando este número de  21 empresas para fazer politicagem”, acusou. “Sou a favor do distrito e quero que o prefeito dê o terreno de graça, para que estas empresas possam ter maior competitividade”, finalizou.

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