Vereadores criticam 3º aumento da água em 12 meses

O situacionista ex-secretário de Agricultura, Dirceu Bertoco, foi o mais veemente; Coca e Simões tentaram justificar reajustes

A Câmara de Vereadores repercutiu fortemente a informação publicada na edição passada do Planeta News, dando conta do aumento de preço na tarifa de água praticada pela Daemo Ambiental, da ordem de quase 10%, que somado aos dois reajustes praticados ano passado, o primeiro deles exatamente em maio, chega a quase 50%.

O vereador situacionista Dirceu Bertoco chegou a se dizer “arrependido” por ter votado a favor de projeto de Lei que desobriga a autarquia a submeter seus reajustes ao Plenário da Casa. Leonardo Simões (SD), em defesa do aumento, deu a entender que, em última análise, “a culpa é do PT”. Marcão Coca (PPS), ex-diretor, tentou, mas não conseguiu ser claro quanto à situação. Hilário Ruiz (PSD) se disse “indignado” com os reajustes, que chegam ao dobro de cinco anos atrás.

A tarifa de água cobrada pela Superintendência de Água e Esgotos do Município, Daemo Ambiental, sofreu o primeiro reajuste do ano no dia 1º de maio passado, conforme publicação do Decreto 6.337, de 29 de abril de 2016, na Imprensa Oficial do Município-IOM, edição de sábado passado, 30 de abril. Trata-se do terceiro aumento de tarifa de água nos últimos 12 meses, gerando um acumulado de 47,9% somados estes 9,90% de agora, com outros dois reajustes, em maio e outubro do ano passado. 

SEM POLÍTICA
“Vejo uma coisa que não dá para entender. Um presente do superintendente da Daemo, mais um aumento. E eu não posso ficar quieto. Faço parte do Governo, mas não posso aceitar. Se 2015 teve dois reajustes, os quais dão 38%, onde ficamos?”, questiona o vereador Dirceu Bertoco.

“Não estou aqui fazendo politica, não sou mais candidato a vereador, também não sou mais candidato a prefeito. Só não posso concordar. Tenho arrependimento de ter votado no projeto dando autorização para que isso (o aumento de tarifa de água) passe através de Decreto (do Executivo). Mas vai ter que ser corrigido. Peço aqui, aos dois candidato a prefeito que temos aqui (Beto Puttini e Hilário Ruiz), e ao terceiro, que está no meu partido: tem que voltar para a Câmara Municipal (a autorização para o aumento)”, complementou.

“Quero dizer que eu também repudio o aumento. Aliás, nos últimos 12 meses, foram mais de 40% (na verdade quase 50%). Simplesmente dobrou o preço da água. Um consumo de 28 mil litros, que se pagava antes R$ 60, hoje se paga R$ 129. Então, pode-se dizer que dobrou o preço da água em cinco anos”, disse Hilário Juliano Ruiz de Oliveira. “Então fica aqui o meu repudio à Administração, que onerou tanto o serviço da Daemo, que consequentemente teve que onerar também a arrecadação”, completou.

CULPA DO PT
Em defesa do aumento usou da palavra o vereador Leonardo Simões, líder do prefeito na Câmara. “Quero dizer com muita tranquilidade que o índice do aumento, na verdade foi baixado pelo menor índice, que foi o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)”, começou falando. Ele disse reconhecer os tempos difíceis, “tempos em que aumentos soam aos nossos ouvidos de forma agressiva, e não é muito aceitável”.

“No entanto, o último aumento da Daemo, que foi dado ao mês de março de 2015, foi o ultimo aumento considerando o INPC. O que foi dado em setembro e outubro foi a correção efetiva do aumento da energia elétrica dada pelo governo do PT. Então, com base nisso nós precisamos ressaltar que a Daemo está fazendo uma correção agora em maio de 2016, dando um reajuste abaixo do índice de inflação”, completou.

“A culpa não é do Toni (Antonio Jorge Mota, superintendente). A culpa vem lá de trás. Esse aumento se deu devido ao fato de que temos funcionários lá, que receberam em media 20% de aumento no salário, e nosso próprio líder, Pastor Leonardo, disse que foi o índice do INPC (usado para o aumento), o menor índice aplicado. Para podermos melhorar ainda mais as coisas por lá, foi necessário que tivesse esse reajuste”, falou o ex-superintendente Marcão Coca.

CUSTOS EXIGEM ATUALIZAÇÃO
O decreto atual fixa o valor mínimo mensal de consumo de água por unidade em 10 metros cúbicos para todas as classes de consumo, e pratica sobre ele um reajuste de 9,90%, com base no Índice de Preços ao Consumidor-IPC. Assim, o consumo de 0 a 10 metros cúbicos na classe residencial, está custando agora R$ 15,14. O diretor da Superintendência alega que “os custos mínimos unitários para os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e demais serviços prestados à população pela autarquia, necessitam de atualizações”.

O decreto fixa ainda o valor de R$ 0,11 por metro cúbico de água consumida, a ser acrescentado nas faturas mensais, cuja arrecadação será destinada ao Programa Permanente de Manutenção de Hidrômetro-PPMH. Os novos valores estão em vigor desde domingo, 1º de maio.

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