Vereador diz que ‘não vê’ suco na merenda

Hilário Ruiz falou da Tribuna da Câmara, cobrando uma situação que ocorreu há três anos; a secretária da Educação, Eliana Monteiro, disse que, suco de laranja, “ele não vai ver mesmo”

O vereador Hilário Ruiz (PSD) usou da Tribuna da Câmara de Vereadores, na sessão de segunda-feira passada, 27 de junho, para se dizer “preocupado” com notícia trazida pelo jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto, dando conta de que Olímpia estaria sob indícios apontados pelo Tribunal de Contas do Estado-TCE, de ter superfaturado compra de suco de laranja, no final de 2013. E nas redes sociais o assunto foi bastante explorado, principalmente por “cabos eleitorais” de pré-candidatos, como do próprio Ruiz, e até mesmo um pré-candidato bateu nesta tecla.

“Me trouxe bastante preocupação uma noticia quanto ao envolvimento da prefeitura de Olímpia em mais um indício de superfaturamento, que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, da ordem de 48% na compra de suco de laranja”, começou dizendo.

“Se fosse ainda um suco de laranja que realmente estava sendo distribuído para os alunos, porque o suco de laranja na merenda é muito bom. Mas eu não tenho visto o suco de laranja na merenda”, insistiu. “Vou procurar mais informações quanto a isso, embora tenha sido em 2013”, completou. “Vou apresentar o pedido de algumas informações, vou me inteirar e tentar contribuir para a apuração desse possível superfaturamento”, finalizou.

Mas desde quando este assunto veio à tona, via jornal rio-pretense, a prefeitura de Olímpia prestou os esclarecimentos técnicos necessários, mas ainda assim, o assunto continua repercutindo nas redes sociais. Pessoas ligadas ao vereador fizeram circular informações acusatórias quanto a, por exemplo, compra de suco de laranja em dezembro, que por ser período de férias escolares, perguntavam que fim levou.

A DENÚNCIA
De acordo com um levantamento realizado em uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que atuou em cooperação com a operação Alba Branca, há indícios de que a Prefeitura Municipal de Olímpia tenha adquirido suco de laranjas com superfaturamento de 48,35%, no ano de 2013. A compra teria sido efetuada por R$ 1,35 a unidade de 200ml, enquanto que a Coaf recebeu R$ 0,79 da prefeitura de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, pelo mesmo produto.

Na microrregião, também a prefeitura de Cajobi está sendo acusada de superfaturamento na compra de produtos alimentícios da chamada "máfia da merenda". O esquema não se restringia somente ao suco de laranja, de acordo com as informações publicadas na edição de domingo, dia 26 de junho, no jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto. Tinha também mandioquinha, ovo de galinha, chuchu. Mas Olímpia é investigada somente pelo suco que comprou.

Atendendo pedido do Ministério Público, o TCE mapeou 32 contratos nos últimos cinco anos da Coaf, cooperativa de Bebedouro, com prefeituras do Noroeste Paulista, inclusive Rio Preto. Um total de R$ 3,7 milhões saiu dos cofres públicos desses municípios direto para a cooperativa, em contratos com preços até 80% acima dos de mercado.

A NOTA OFICIAL
Em nota, no que diz respeito à compra, a prefeitura disse o seguinte: “A Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da Divisão de Compras e Licitações, esclarece que a empresa COAF participou da chamada pública 03/2013, divulgada nos veículos de comunicação competentes, tendo apresentado proposta que atendia ao preço de mercado, da época, fato este que justificou a contratação da empresa.

A Prefeitura informa ainda que o processo foi realizado conforme os ditames legais e que, no período do contrato, a COAF não havia sido indiciada e não apresentava nada que a desabonasse. Acrescenta que o contrato vigorou por apenas um mês, por meio de entrega imediata por uma única vez, não apresentando nenhum aditivo ou contrato posterior com a Prefeitura.”

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