Vereador diz que Centro de Acolhimento será ‘ponto de atração turística’

‘É a obra maior da cidade’, disse José Elias de Morais, o Zé das Pedras; ‘O turista pode ir visitar’, acrescentou, quando visitar foi proibido para olimpienses, o que gerou polêmica

Vereados Zé das Pedras

Foi entregue oficialmente na manhã de quarta-feira, 13, o primeiro Centro de Acolhimento Animal da Estância Turística de Olímpia. Levando o nome do santo protetor dos animais, “São Francisco de Assis”, o local foi planejado para acolher animais abandonados, visando ampliar e melhorar o atendimento à causa animal no município. Para o vereador José Elias de Moraes, o Zé das Pedras (PR), ex-presidente da Ong SOS Animais, trata-se da “obra do ano”, o que o faz dar-se por satisfeito.

O local é composto por 36 baias com capacidade para abrigar até 100 cães e gatos, oferecendo uma estrutura mais ampla e adequada do que a existente até então. Os espaços são divididos em áreas abertas e cobertas, com disponibilidade de sombra e ambiente para proteger os animais da chuva e do vento.

Este detalhe da cobertura gerou forte reação de internautas nesta e na semana passada, quando a maioria deles julgou inadequada a proteção colocada nas baias contra o sol. Já o vereador, ignorando que a administração municipal proibiu a visita de cidadãos ao local, disse, no entanto, que “o turista pode ir visitar”. E mais, que o CAA “vai se tornar um ponto turístico”.

A obra toda, segundo o vereador, custou “quase R$ 700 mil”. “Quem gosta de animal, acha que é pouco dinheiro, quem não gosta acha que é muito”, analisou. Das Pedras disse ainda que, apesar do montante já gasto, “faltam alguns detalhes para fazer”. O CAA acolhe atualmente 75 animais. O vereador culpa a si mesmo, ao Setor competente e, indiretamente, ao governo municipal, por não ter socorrido estes animais antes, com a castração. “Assim, não teríamos já tantos acolhidos ali”.

Disse que este serviço, na cidade, “não foi levado a sério”, apesar de ele mesmo ter participado de uma campanha de castração de animais, em 2017, como presidente da ONG SOS Animais, anunciando depois ter feito mais de 100 cirurgias, o que foi contestado por ONGS independentes. Há pouco mais de um ano atrás, por meio da autarquia Daemo Ambiental, foi feita uma ação de castração de animais, mas a procura foi baixa, com número de faltantes agendados para a realização do procedimento cirúrgico muito alto.

É que, entre outros empecilhos, para participar do projeto era necessária a realização de um cadastro, preenchido na sede da autarquia. Se não bastasse isso, contrariando a lei que exige apenas a comprovação de três salários mínimos, a Daemo exigia, além do RG, CPF e comprovante de residência do morador interessado na castração, o Número de Identificação Social-NIS, dos programas assistencialistas do governo, embora nem todos que vivem com até três salários mínimos dependam desses programas ou estão cadastrados.

Durante toda a campanha o projeto castrou apenas 393 animais, quando esperava castrar 1.650 animais no ano, ou seja, 137 por mês. A burocracia envolvia, além do NIS, a necessidade de ser realizada uma vistoria pelo médico veterinário responsável para conhecer o animal e verificar as condições para a castração. Talvez seja por isso que Das Pedras disse que as castrações não foram levadas a sério.

O Centro de Acolhimento conta com uma equipe de veterinários e profissionais e tem a parte física composta por ambulatório com salas para higienização, atendimento, curativos e anamnese, além de sala cirúrgica para pequenos procedimentos e de repouso para animais debilitados ou em tratamento. No local são acolhidos apenas os animais resgatados das ruas pela própria Daemo, que não tenham tutores e que estejam em situação de risco, vítimas de maus tratos, doentes ou acidentados.

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