Verba de R$ 500 mil dará ‘para uma folha’

Diretoria da Santa Casa vai usar dinheiro para pagar mês de outubro e 13º; ‘O que sobrar vai para remédios’

 

  

O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, advogado Mário Francisco Montini, e o vice-provedor, diretor da Progresso e Desenvolvimento Municipal-Prodem, Vivaldo Mendes Vieira, disseram à imprensa, na tarde de terça-feira, 11, que a verba de R$ 500 mil recebida na semana passada, será suficiente apenas para “pagar uma folha” de funcionários, com o 13º do ano. E o que sobrar, será usado na compra de medicamentos.

 

“A verba é do tipo que vem para custeio, ou seja, ‘carimbada’, não podemos dar qualquer destinação a ela. Veio para pagar funcionários e comprar remédios para a Santa Casa”, explicou Montini. Segundo o provedor, o dinheiro chegou na conta do hospital no dia 3 passado, “e não pudemos nem pagar a folha do mês passado (setembro)”.

 

“Isto porque nada de atrasado entra. Nem a ‘folha’ pude fazer. Vamos pagar a folha do mês que vem (na verdade deste mês, em novembro). O remédio que já compramos, não poderemos usar (dos R$ 500 mil) para pagar. Não podemos pagar dívidas. Tem que gastar do momento que recebeu para a frente. Nem energia elétrica se pode pagar”, relatou o provedor.

 

Problema idêntico ao vivido com a verba do “Pró-Santa Casa”, programa do Governo do Estado que destina a cada mês R$ 35 mil para hospitais. “Não tem jeito de fazer o que se quer ou precisa”. O dinheiro recebido agora “está parado”, segundo Vivaldo Mendes. Porém, a Santa Casa, este ano, não irá viver o problema de chegar ao fim do ano e não poder pagar o 13º. “Também não podemos pagar o 13º adiantado”, observa, diante da pergunta se iria pagar o salário extra inteiro antecipadamente.

 

Levando em conta que a folha de pagamentos da Santa Casa gira em torno de R$ 220 mil, segundo Mendes, somados ao 13º, “dá para pagar uma folha só, o salário de outubro, vencido em novembro, e metade do 13º. O que sobrar compra remédio”, disse.

 

VERBA POLÍTICA
“É um alívio (a verba), mas ainda precisamos de ajuda, (o montante) não chega perto do que precisamos. O gasto mensal com remédios, por exemplo, varia muito, honorários médicos e ambulatórios custam R$ 367 mil por mês”, relata Montini. “No mês passado, sem dinheiro em caixa para honrar compromissos, tivemos que administrar e cumprimos tudo (o que fora negociado). A dívida diminuiu a partir do momento que estamos pagando as prestações mensais das negociações.”

 

Questionado sobre a “politização” da verba de R$ 500 mil, Montini disse que “tem que ser assim”, porque “só se consegue uma verba através do trabalho de um político. Não vou dizer que só o Geninho está envolvido. Tem muitas outras pessoas. Não tem jeito de não ser assim. Quando o deputado vai liberar uma verba dessas, ele faz para levar o nome dele para a população. Se não fizer isso (propaganda do nome do deputado), ele não vai trabalhar mais para a cidade”.

 

“Isso não quer dizer que o Rodrigo (Garcia, autor da emenda) ou o (prefeito) Geninho (DEM) venham dizer o que fazer com ela. Aí seria interferência. Isso nunca teve e não vai ter enquanto eu estiver aqui.”

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