Starbene impede greve, mas dissidio vai para TRT

Empresa é a única, entre mais de 400 cidades, a não cumprir a determinação do reajuste para merendeiras

 

A Starbene/Básica, empresa que fornece a merenda escolar para a rede municipal de Ensino de Olímpia, conseguiu impedir a paralisação de suas mais de 100 merendeiras esta semana, mediante ameaças de demissão, mas o acordo coletivo de trabalho reajustando o piso da categoria para R$ 839 foi para o Tribunal Regional do Trabalho-TRT de Bauru, que decidirá sobre pedido de liminar nas próximas horas. O diretor do Sindicato da categoria, Francisco Viana, disse ao Planeta, terça-feira, 11, que “todas as empresas estão cumprindo a convenção coletiva de trabalho, menos a Starbene/Básica”.

Em visita à redação do jornal, ele exibiu cópias das folhas de pagamento fornecidas ao Sindicato pelos RHs das empresas visitadas, onde constam os novos valores. “Por que só a Starbene não tem condições de pagar o reajuste?”, pergunta. A alegação, diz, é a de que a empesa está sem caixa, “mas eles têm obrigação de fazer uma reserva para isso (reajuste). Se não têm reserva que comporte este reajuste, é porque são incompetentes”, atacou.

Viana recebeu informação, no contato com Rodolfo Ferreira, do RH da empresa, em São Paulo, que a Starbene/Básica não tem caixa que suporte agora (o aumento). “Mas, ao mesmo tempo dizem que a empresa não está quebrada. Então, eles têm que pagar, por força da convenção”.

A empresa atende também os municípios de Jales, Votuporanga e Santa Fé, cidades onde, como Olímpia, as merendeiras recebem R$ 739 por mês, ou seja, com o reajuste de 8%, e não os 18% negociados. “Demos oportunidade a eles para se explicarem, já que alegavam que não o fazíamos. Mas querem negociar o inegociável. Querem dividir em três parcelas ou pagar o reajuste a partir de janeiro. O Sindicato disse não”, relatou Viana.

“As merendeiras estão revoltadas, mas não podem parar por si. Precisam do Sindicato”. Elas foram ameaçadas pela empresa de perderem o emprego caso parassem de fazer e servir a merenda escolar. “Disseram que a prefeitura iria rescindir o contrato e elas iriam todas para a rua”, contou o diretor. Diante do impasse, o Sindicato então deu entrada no TRT com ação, demonstrando que todas as empresas estão cumprindo o acordo, menos a Starbene. E colocou a prefeitura de Olímpia, contratante, no polo passivo.

Viana disse que procurou, na cidade, o prefeito Geninho, que não o recebeu. Disse que falou com Walter Trindade, secretário de Administração do município, que prometeu buscar solução e não o fez. “Da segunda vez que tentei falar com ele, nem me atendeu”, queixou-se.

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