Servidores municipais devem voltar à Câmara 2ª

Na sessão passada, dezenas de representantes da categoria estiveram na Casa de Leis, mas foram praticamente ignorados pelos vereadores; Niquinha insinuou que pode tomar Sindicato

Presidente do Sindicato, Jesus Buzzo

Os cerca de 50 funcionários públicos municipais que acompanharam a sessão ordinária de segunda-feira passada da Câmara Municipal de Olímpia, foram praticamente ignorados nas falas e pretensões dos integrantes daquela Casa de Leis, que pouco ou nada além de elogios disseram a eles. Nenhum dos presentes se comprometeu com a causa da categoria, exceto Luis Gustavo Pimenta (PSDB), 1º secretário da Mesa, que no sábado já havia apoiado a movimentação deles no centro da cidade.

Nas vezes em que tocaram no assunto, foi mais para garantir a defensiva do prefeito Fernando Cunha (sem partido), que verdadeiramente tratar as causas buscadas ali, que vão muito além da reivindicação salarial propriamente dita, conforme bem lembrou Pimenta. A categoria está prometendo voltar à Câmara na próxima segunda-feira, 1º de abril, até porque há chances de o projeto tratando do reajuste da categoria ser encaminhado pelo prefeito para votação.

Na sessão de segunda-feira passada, o líder do prefeito na Casa, João Magalhães (MDB), quando falou aos municipais, tratou o assunto como coisa corriqueira, cobrando deles ações que já haviam sido tomadas pelo Sindicato, na ocasião representado pelo seu presidente, Jesus Buzzo, como a elaboração de uma pauta a ser encaminhada ao prefeito, o que foi feito em outubro do ano passado.

Hélio Lisse (PSD) preferiu fazer uma comparação com sua situação enquanto funcionário público estadual aposentado no estado de Minas Gerais (foi delegado em Fronteira), onde, segundo ele, o governo ainda não pagou o 13º, gerando burburinho na plateia.

Outros vereadores fizeram discursos protocolares e rápidos, exceção do vereador Niquinha (Avante), que preferiu partir para o confronto com o presidente Buzzo, a quem ameaçou de tomar o lugar no ano que vem.

“Vocês acham que não, mas estão muito mal representados”, gritava ele, sob as vaias dos presentes. “No ano que vem, eu vou cuidar deste assunto, vocês vão ver, e aí vai ser diferente”, prosseguiu, ainda sob vaias e aclamação em apoio ao presidente do Sindicato.

MOVIMENTAÇÃO
Embora o próprio governo municipal, por meio de seus veículos de imprensa tentasse descaracterizar a movimentação dos municipais como um evento representativo da categoria, alegando que, devido à baixa adesão, estes manifestantes “não teria o apoio da maioria dos funcionários”, os participantes e o presidente Jesus Buzzo entenderam que foi um fato marcante que serviu para pelo menos chamar a atenção da sociedade olimpiense.

“A última vez que os municipais se mobilizaram já faz quase 25 anos, então é um marco, sim, e importante porque demonstra que o medo de perseguição não arrefeceu os ânimos deles”, disse Buzzo. Mas o Planeta apurou que já ocorreram alguns casos explícitos de ação persecutória, por enquanto ainda em pequena escala.

 

Segundo informa o Sindicato, desde o final do ano passado foram feitas três rodadas de assembleias para se tentar chegar a um acordo.

A primeira assembleia foi em outubro do ano passado para a aprovação, por unanimidade, da pauta de reivindicação. Foi pedido 6% de reajuste no salário, 50% de reajuste no Vale Alimentação, o que daria 7% de ganho real. A segunda assembleia foi em fevereiro deste ano, quando funcionários se reuniram novamente para discutirem a proposta da Administração, de 3,75% de reposição, tanto no salário quanto no Vale Alimentação, proposta rejeitada por unanimidade pelos 73 funcionários presentes à assembleia.

No dia 12 de março houve nova assembleia para a deliberação sobre os 4% propostos pela administração municipal, ou seja, 3,75% de reposição salarial e 20% no Vale Alimentação, o que representaria  0,25% de ganho real, proposta também rejeitada pela unanimidade dos 122 funcionários presentes, quando se deliberou pela manifestação realizada no sábado passado.

Jesus Buzzo disse que a categoria pretende conseguir 50% de reajuste no Vale Alimentação e 6% de reposição salarial, ou seja, um ganho real de 2,25%.

Em nota emitida para o site de notícias Olímpia 24 Horas, a administração municipal disse que “a atual gestão respeita o movimento da categoria e trabalha constantemente pela valorização dos servidores, dentro dos limites da Responsabilidade Fiscal”.

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