Secretário nega embargo das obras na ‘ETA seca’

Informações surgidas ontem davam conta de que, na verdade, paralisação teria sido determinada pela CAIXA

O secretário municipal de Obras e Engenharia, Renê Alexandre Galetti, negou na tarde de ontem que as obras de recuperação e readequação da Estação de Tratamento de Água-ETA, na região da Cecap, conhecida como “ETA seca” tenham sido embargadas pela Caixa Econômica Federal por irregularidades na compra de tubulação. A informação chegou à redação do Planeta, passada por pessoa que preferiu não se identificar. Procurado, Galetti negou. “(A obra) Não foi embargada. Se foi, não chegou a informação para nós”, rebateu.

A versão do embargo da obra ganhou corpo a partir do momento em que o prefeito Geninho (DEM) anunciou via imprensa rio-pretense, ter rescindido o contrato com a empresa Scamatti & Seller no valor de R$ 6,1 milhões. A empresa era responsável pela construção de uma adutora de água, o reservatório do sistema do rio Cachoeirinha, e a Estação de Tratamento de Água-ETA.

De acordo com Galetti, recentemente o Ministério do Turismo determinou que todos os convênios existentes até então fossem bloqueados, por causa da “Operação Fratelli”. Mas o município, disse, não possui mais convênios para asfalto. O que existe são convênios com o Estado (estação de tratamento de esgoto) e com o Governo Federal, no Programa de Aceleração do Crescimento-PAC, para a ETA.

“Tudo que é do PAC está liberado. E por este sistema o pagamento só é feito após a conclusão, ou quando pelo menos 50% da obra estão feitos”, esquivou-se. Ele nega ainda ter havido compra de tubulação com diâmetro menor do que a tubulação existente, o que teria sido a razão do embargo. “Não houve compra de tubulação em diâmetro menor. Aliás, as compras só são feitas com prévia liberação da CAIXA”, complementou.

 

LIBERAÇÃO DE R$ 1,5 MILHÃO

Para demonstrar que estaria tudo em ordem, o secretário chegou a dizer que o município já havia liberado um pagamento de R$ 1,5 milhão à fornecedora da tubulação, a Saint Gobain. Prometeu encaminhar à redação o relatório da CAIXA sobre a obra, mas até o fechamento da edição, por volta das 18h30, não o tinha feito.

Galetti disse ainda que não estava sabendo da rescisão de contrato com a Scamatti & Seller anunciada pelo prefeito na manhã de ontem, quinta-feira, 18, por meio do Diário da Região, de São José do Rio Preto. Pediu um tempo para a reportagem e cerca de 10 minutos depois retornou para dizer que a decisão quanto à rescisão seria tomada “entre hoje (ontem) e amanhã) hoje”.

Na entrevista ao “Diário”, Geninho reiterou que os recursos para a obra foram liberados via Programa de Aceleração do Crescimento-PAC, do Governo Federal. O prefeito de Olímpia alegou que a empresa “abandonou a obra” desde a operação que desbaratou suposto esquema de fraude em licitações encabeçado pelo grupo Scamatti.

Segundo levantamento feito pela prefeitura, a empresa executou apenas 5% da obra, embora para a imprensa olimpiense tivesse dito recentemente que a empresa havia realizado 10% da obra. O rompimento com a empresa deverá ser publicado no diário oficial do Estado deste final de semana, segundo o jornal.

 

INVESTIGAÇÃO

A administração de Geninho é alvo de investigação aberta pelo Ministério Público Federal de Rio Preto. Ao menos dois inquéritos civis foram abertos para apurar possível fraude em licitação envolvendo empresas do Grupo Scamatti para vencer obras de pavimentação asfáltica no município. Um dos contratos, com a Demop, do mesmo grupo, no valor de R$ 2 milhões, foi julgado irregular pelo Tribunal de Contras. No total, Olímpia firmou pelo menos R$ 30 milhões em contratos com empresas ligadas ao grupo Scamatti.

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