Saúde enfrenta nova crise com médicos deixando funções

Nos últimos dias não foram poucos os comentários e informações de que profissionais médicos teriam se rebelado com ‘endurecimento’ da administração e pedido exonerações

Prefeito Fernando Cunha e Secretário Marcos Pagliuco

A Saúde de Olímpia parece estar prestes a mergulhar ainda mais fundo na crise de gerenciamento que a atual administração ainda não conseguiu solucionar. Agora, seriam os médicos concursados da rede municipal que estariam se rebelando e deixando suas funções no Ambulatório de Referência de Especialidades-ARE, o “Postão”. Esta semana chegaram informações de que por lá já não tinha atendimentos em pulmonologia e cardiologia, por exemplo.

O secretário Marcos Pagliuco, “importado” de Embaúba por meio de um acordo político feito pelo prefeito Fernando Cunha (PR) com o ex-vereador petista agora no PSD, Hilário Ruiz, tentou minimizar o problema esta semana, alegando que não havia nada de concreto em suas mãos, “nenhum pedido oficial”, mas que, se isso de fato acontecer, irá fazer contratações de emergência.

Os comentários de bastidores e nas redes sociais eram tão fortes que obrigaram a Pasta a emitir nota, confirmando as evidências e explicando os motivos pelos quais os profissionais estão se rebelando:

“A secretaria de Saúde de Olímpia vem a público esclarecer que não está exonerando médicos da rede municipal. O que ocorre é que, em decorrência de um apontamento do Ministério Público e da Instrução Normativa Nº 02/2018, publicada no Diário Oficial no dia 1º de outubro (Edição 310), todos os funcionários são obrigados a cumprir a carga horária completa estipulada no certame de ingresso ao cargo público, seguindo uma determinação do Governo Federal pelo sistema ‘eSocial’”, começa a nota.

“Até o momento, os médicos adotavam uma indicação do Ministério da Saúde que orientava a realização de 16 consultas no período de 4 horas. Caso o profissional cumprisse as 16 consultas com um tempo inferior às 4 horas, não permanecia no local de atendimento. Agora, com a regulamentação, eles serão obrigados a cumprir a carga horária estipulada”, complementa a nota.

E prossegue: “A Saúde destaca que alguns médicos, em detrimento da obrigação de cumprir a totalidade da carga horária, estão solicitando a exoneração de seus cargos. Para evitar prejuízos aos pacientes e aos atendimentos, a Prefeitura já está adotando medidas para substituir os profissionais que estão abandonando o vínculo, prezando sempre pelo atendimento de qualidade e pela garantia do serviço de saúde oferecido à população”, conclui.

Porém, Pagliuco, na quarta-feira pela manhã, em entrevista a uma emissora de rádio, contrariando a sua própria nota, disse que “alguns profissionais estão sinalizando com exonerações” e que estava aguardando a manifestação do RH da prefeitura. Os profissionais, diz ele, são concursados e alguns deles têm dois vínculos, portanto deixariam um e ficariam com o outro (por exemplo, atendia no “Postão” e no CRI, sairia do primeiro e ficaria somente com o segundo).

“Vamos fazer contrato de emergência para suprir as necessidades”, disse ele depois. Porém, aqueles que ficarem, “vão ter que seguir as normas”, avisou. “É justo que estes profissionais não cumpram seus horários?”, cobrou.  Para ele, esta possível debandada “vai causar um transtorno momentâneo”, apenas, acrescentando que, se for o caso, pedirá “socorro” a Barretos, cuja Divisão Regional de Saúde já teria se colocado à disposição de Olímpia.

Ele só não disse se ela mandaria médicos para cá ou se Olímpia mandaria seus pacientes para lá. Como também não disse se os médicos atendendo as quatro horas diárias vão ter que estender mais o tempo de atendimento ao paciente, ou vão continuar com o mesmo ritmo de atender sua cota de 16 a 18 pacientes em no máximo uma hora, como grande parte deles faz, e depois ficarem o resto do tempo apenas aguardando o momento de apertar o dedo no relógio digital.

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