Saúde é um problema constante, diz responsável pela Pasta, Marcos Pagliuco

A reportagem falou com exclusividade com o secretário, na segunda-feira, 30, após Audiência Pública na Câmara, com o intuito de apresentar os recursos financeiros destinados ao setor

Secretário em audiência pública

O secretário municipal de Saúde da Estância Turística de Olímpia, Marcos Pagliuco, disse no início da noite de segunda-feira passada, 30, após Audiência Pública sobre o setor, na Câmara de Vereadores, que considera a Saúde, em Olímpia, “um problema constante”. De acordo com Pagliuco, por mais que faça pela Saúde, mais é preciso fazer. Ele admitiu que, apesar das melhoras observadas, as críticas feitas pelos usuários, “são pertinentes”. O secretário falou também sobre a judicialização de medicamentos, que deverá custar este ano, mais de R$ 2 milhões ao município.

“Eu tenho um olhar mais para o horizonte. Sobre como estava, como está e como vai melhorar. A saúde é um problema constante. Melhorou-se muito, diante do que estava. É um trabalho constante. Ainda é pouco? Claro que é. Saúde tem que ficar sempre e cada vez mais fazendo. Mas do que era, melhorou muito. Não tenho dúvida disso. É um trabalho constante, a caminhada é longa e vamos continuar trabalhando cada vez mais”, declarou à reportagem do Planeta News. Leia, abaixo, a íntegra da entrevista.

Planeta News: Estes números mostrados, em que medida eles significam, efetivamente, que a Saúde no município de Olímpia está funcionando a contento?

Marcos Pagliuco: Os recursos veem em bloco para fazer investimentos em exames, farmacêutica, compra de medicamentos, e algumas medidas que temos tomado é direcionar para o caminho que você quer que desloque estes recursos. Tem o pagamento de profissionais, compra de exames, combustível, e todo este recurso locado, se não souber o quantitativo, acaba deixando alguns exames de complexidade, que são do Estado. Muito do que estamos absorvendo é do Estado, que não faz. Principalmente no quesito judicialização, que tem consumido muito dos recursos. Vamos chegar a mais de R$ 2 milhões com judicializações.

PN: Só com a Judicialização? E o investimento corriqueiro, até o fim do ano chegaria a quanto?
MP: Olha, nós vamos chegar aí 23,5% do Orçamento, ou seja, passa de R$ 30 milhões.

PN: Com tudo isso, porque há tanta reclamação?

MP: A Saúde é problema nacional, você faz que as coisas aconteçam e melhore, mas não quer dizer que vai resolver todos os problemas. A Saúde é um problema constante. União e Estado estão deixando muito para os municípios. O volume de recursos não é grande, tem um custeio que não é barato. Temos uma frota renovada e não equacionado o problema (da locomoção), precisamos de mais (veículos). Exames, que tínhamos fila de 2012, como ressonância magnética, ultrassonografia, eletrocardiograma, que tinham filas intermináveis, equacionamos. Mas, tem exames que é de alta complexidade que é do Estado. Esse mês, recebemos R$ 2,2 milhões de emendas. Estamos aplicando em Saúde, comprando exames, zerando a fila oftalmológica e agora vamos comprar exames que não eram nossos. Assim, um bilhão por mês ainda é pouco. Há uma avalanche de gente vindo para o setor público, e já chegamos quase a oito mil atendimentos por mês. E a estrutura é deficitária.

PN: Mas ainda há muita queixa com relação a fornecimento de medicamentos, atendimento especializado, exames... São fundamentadas?

MP: Todas as reclamações que são levadas à ouvidoria, procuramos resolver. Muitas vezes reclamam por não ter medicamento. Quando vamos ver, aquele medicamento é de alto custo. O Estado está deixando muito para os municípios esta questão. Muitas vezes o fornecedor atrasa, é de alto custo, é judicial, e as pessoas generalizam, fazem um “pacote” e dizem “a culpa é do prefeito, é do secretário”.

PN: Nesta questão do medicamento de alto custo, quem usa rede particular pode reivindicar o alto custo?

MP: Pode, é contemplado nesta lista dos excepcionais, ele faz um processo, embora o ideal seria ser paciente do SUS, mas se preencher todo formulário, ele pode dar entrada no processo, e o Estado defere ou não. A Saúde é universal, respalda mesmo sendo privado.

PN: A ponta é a UPA, a parte visível, mais imediata dos serviços de Saúde, e as reclamações e polêmicas maiores, envolve exatamente aquela Unidade. Como ela está hoje, na sua concepção?

MP: Melhorou muito. Enfrentamos uma epidemia de dengue e mesmo com todas as intempéries conseguimos passar. Trocamos profissionais, colocamos mais farmacêuticos, mais biomédicos, em todos os exames, tem pediatra 24 horas, e nossa UPA, hoje está num nível muito bom. Precisamos de uma central de traumas, com a habilitação do Pronto Socorro na Santa Casa, para que as urgências não precisem ficar na UPA, já iria direto para a Santa Casa. A UPA, hoje melhorou muito, prova disso que as ouvidorias e o Tribunal de Contas deu apontamento, nota muito boa. Mas o caminho é longo. Colocar o Pronto Socorro na Santa Casa daríamos um salto muito melhor ainda.

PN: Aí desativaria a UPA?

MP: Em momento algum. A UPA vai fazer a função dela, que é o atendimento de emergência, mas casos graves vão para o PS referenciado (da Santa Casa).

NÚMEROS
Na tarde de segunda-feira, 30, com intuito de apresentar os recursos financeiros destinados à Saúde nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal e a movimentação da pasta, a Secretaria de Saúde promoveu, no Plenário da Câmara Municipal, uma audiência pública para a prestação de contas referentes ao segundo quadrimestre (maio, junho, julho e agosto) de 2019.

De acordo com as informações apresentadas na audiência pública, no segundo quadrimestre, a Saúde de Olímpia consumiu R$ 16.211.713,89, sendo R$ 4.396.350,56 de repasse Federal, R$ 90.551,80 de repasse Estadual e R$ 11.724.811,53 de recursos próprios.

Foram feitas 60.154 consultas médicas; 6.426 atendimentos odontológicos; 71.817 imóveis trabalhados pelo controle de endemias, 91.570 exames laboratoriais; 8.032 fisioterapias; 9.396 exames radiológicos; 2.739 ultrassons; 1.353 transportes sanitários para outras localidades; 8.801 transportes sanitários dentro do município; e 27.322 pacientes atendidos pela Farmácia Central.

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