Projeto contra soltura de rojões abre polêmica na Câmara

Vereador Niquinha votou favorável, mas quer emendas preservando datas; ele acusou Zé das Pedras de estar ‘fazendo política’ com cachorros; Luiz do Ovo votou contra

Plenário da Câmara

A primeira discussão e votação do projeto de Lei 5.370/2018, que trata da proibição da soltura de fogos com estampidos na Estância Turística de Olímpia, quando parecia que não, acabou provocando forte polêmica na sessão de segunda-feira passada, 23, da Câmara de Vereadores. Ele foi aprovado por oito votos a um, já que Luís do Ovo (DEM) votou contra, sem dar maiores explicações. Já Niquinha (PTdoB) votou favorável, mas diz que quer ver aprovada uma emenda de sua autoria, visando preservar do alcance da futura Lei os dias de Nossa Senhora Aparecida e de Santos Reis.

“Em primeiro lugar, vou votar favorável ao projeto, mas já vou declarar que o projeto é totalmente inconstitucional, está sendo derrubado em todas as cidades (onde aprovaram a lei). Vou votar no projeto, mas quero preservar duas datas, o Dia de Nossa Senhora Aparecida e o Dia de Santos Reis, que são nossos padroeiros”, disse o vereador, lembrando que “o Brasil inteiro comemora com foguetes (rojões) estas datas”.

O vereador Ainda argumentou que a proposta “não vai dar certo”, porque “não vai ter quem fiscalize”. Para Niquinha, “o cachorro e o foguete sempre viveram juntos, e quem tem cachorro, que cuide”, cobrou. Luiz do Ovo (DEM), que até hoje na Câmara não havia feito nenhum pronunciamento, desta vez, de sua própria mesa, afirmou: “Niquinha, você disse que não quer ser o chato (a votar contra o projeto), mas eu tenho meu motivo, e vou votar contra esse projeto, vou ser o chato da noite”, disse.

Sabe-se que Luís do Ovo promove, todos os anos, a chegada de Reis no Jardim Santa Ifigênia, data que geralmente é festejada com a soltura de muitos fogos de estampidos.

Se a conversa seguia calma até então, bastou a intervenção de Zé das Pedras (PR) para “azedar” a discussão. “Não é só um sonho meu, mas também do vereador (Flávio) Olmos, e da população de Olímpia”, disse inicialmente. “Estamos votando um projeto de uma importância muito grande”, prosseguiu, lembrando que havia obtido o “aval” do padre Ivanaldo Mendonça, da Paróquia de São José, que lhe teria dito que “Nossa Senhora vai proteger todo mundo sem soltar fogos”, e que para ele, que todo ano realiza a caminhada de quatro quilômetros em homenagem à santa, será até melhor ter a lei, “para não precisar gastar (com a compra de fogos)”.

“O que acontece com os animais quando soltam fogos? Muitos se perdem, vão para as rodovias, morrem atropelados. Isso é uma falta de respeito muito grande, e depois a pessoa não vai lá socorrer, quem vai é a prefeitura ou o pessoal das ONGS. Acho que esse projeto é muito importante, mas a lei não vai obrigar as pessoas, mas sim ativar a consciência delas. A questão da fiscalização, a própria pessoa vai se fiscalizar. Se você tem um vizinho que tem animal, uma pessoa doente na casa, você vai respeitar”, concluiu Zé das Pedras.

Foi o suficiente para Niquinha ativar seu arsenal verbal para cima de Zé das Pedras. “Quero deixar bem claro ao José Elias de Morais, que não falei em momento algum que sou favorável a soltar foguete. Falei que sou contra, também não gosto de fogos, só que tem que ter respeito com aqueles que comemoram o Dia de Nossa Senhora Aparecida. Ele (Zé das Pedras) está muito preocupado, porque ele gosta de fazer politica em cima disso aí (cachorros)”, acusou, para em seguida ameaçar: “Tem gente fazendo coisa pior, que eu sei, estou com o documento na minha caminhonete, que no momento oportuno vou ‘espirrar’ tudo para fora”, disse, sem no entanto especificar se eram coisas relacionadas ao Zé das Pedras.

Mas, acusou-o de “fazer média com a população” por meio dos cachorros. “Dá impressão, quando ele fala, que se solta fogos aqui em Olímpia todo dia. Estou votando favorável, só para que preservem essas duas datas, porque não é só o padre que solta foguete, é a população toda. Não venha querer fazer média com o povo não, que eu sei que você até bateu em cachorro com cabo de vassoura, você pensa que sou algum otário?”, perguntou, dirigindo-se a Das Pedras.

Para Niquinha, o projeto é inconstitucional, e o prefeito teria sido “forçado” a encaminha-lo à Câmara. “Eu detesto quando vem fazer politica em cima da minha ‘lomba’. E esse projeto é inconstitucional, forçaram o prefeito a mandar para cá, vai ser derrubado”, concluiu.

Comentários