Primeiro endereço da empresa foi mudado após reclamação

Morador recebia contas sem saber por que e até um fiscal da prefeitura foi à sua casa

O morador da casa 101 da Rua Antonio Rebelato, no Jardim São José, está há muito tempo intrigado com as correspondências que chegam à sua residência, por meio dos Correios, oriundas de bancos, principalmente. Pelo sobrenome, chegou a pesquisar nas imediações, de quem poderiam ser. Havia uma família Martins ali perto. Mas não se tratava dela, descobriu. Um dia, resolveu abrir um destes documentos e viu que se tratavam de cobranças que não eram dele.

Mais tarde, surpresa maior ainda: um fiscal da prefeitura apareceu por lá, para fazer vistoria na “empresa”. E ainda chegou a teimar com ele, de que ali tinha uma prestadora de serviços, conforme constavam nos registros da prefeitura. Convencido do erro o fiscal se foi. Intrigado, o morador foi até a prefeitura, fez a reclamação e logo em seguida deixou ter este problema. O endereço, soube-se depois, fora mudado para a Avenida Brasil, 231, onde mora o funcionário comissionado da Daemo Ambiental.

“Antes de eu morar aqui, era meu marido (que morava), desde criança”, disse a moradora do 105 da Bem-Te-vi. “Tem trinta anos que eu moro nessa casa aqui, nunca ouvi falar (do Marlo)”, completou o vizinho, chamado à conversa pela moradora. “Então, eu não conheço, moro aqui faz 23 anos e não conheço”, disse o morador da Antonio Rebelato, 101, onde teria funcionado a sede da empresa até 29 de novembro do ano passado. “Eu não estou agüentando receber correspondência deste Marlo Martins. Até tem uma guardada, certo?”, completou o morador.

Leia as íntegras das conversas mantidas pela reportagem do Planeta com os moradores dos três endereços citados na reportagem.

No endereço Bem-Te-Vi, 105:

Planeta: Bom dia.

Dona da Casa: Bom dia.

P: É aqui que mora o Marlo?

DC: Marcos?

P: Marlo

DC: Marlo não!

P: Não tem nenhum Marlo por aqui?

DC: Ela pergunta para o vizinho: Tem algum Marlo aqui nessa rua? Acho que não, né?

Vizinho: Marlo?

P: Que número é essa casa aqui?

DC: 105

Vizinho: É Bem-Te-Vi que você quer ir?

P: Isso, Rua do Bem-Te-Vi, número 105.

Vizinho: Só que ela vai lá pra frente...

P: Então, me disseram que era 105, que eu ia achar ele...

DC: Marlo?

P: É, faz tempo que você mora aqui?

DC. “Vixe”, antes de eu morar aqui era meu marido, desde criança.

Vizinho: Tem trinta anos que eu moro nessa casa aqui (aponta a casa do lado), nunca ouvi falar...

P: Marlo Martins. Me desculpe, mas qual é o nome do teu marido?

DC: André...

P: Nada de Martins...

DC: Não... André...

P: O cara me passou o endereço totalmente errado... Qual o seu nome mesmo?

DC: Lia...

P: Obrigado, Lia.


No endereço Antonio Rebelato, 101:

P: Bom dia

Srª: Bom dia!

P: É aqui que mora o Marlo?

Srª: Não.

P: Não?

Srª: Só se ele morava e mudou, porque eu mudei pra cá semana passada.

P: Ah, semana passada... E aqui é Rua Antônio Rebelato, número 101?

Srª: Isso, e aqui moram os dois donos da casa.

P: Martins? A senhora sabe se o sobrenome deles é Martins? Estou procurando o Marlo Martins (A mulher vai chamar os donos da casa).

Srª: Ele vai te atender...

Dono da casa: Eu não estou aguentando receber correspondência deste Marlo Martins, até tem uma guardada, certo?

P: Hã.

DC: E não é daqui...

P: Tudo é correspondência comercial e faz tempo que o senhor não vê esse Marlo?

DC: Ah, então, eu não conheço. Moro aqui faz 23 anos e não conheço.

P: E essas cartas que vem pra ele, vem de onde?

DC: Vem do Banco.

P: Então, eu estou procurando ele, que me passaram... Eu precisava falar com ele e não consigo achar esse cara, rapaz, três endereços que me passaram e eu não encontro ele.

DC: E vem correspondência, hein! Já levei lá no Correio, fui no banco, e não adianta!

P: Ninguém sabe onde esse Marlo está?

DC: Ninguém sabe...

P: E faz tempo que o senhor mora aqui?

DC: Vinte e cinco anos.

P: E como o endereço dele foi parar na casa do senhor?

DC: Não sei! Na prefeitura mesmo, um safado foi lá e abriu firma no endereço e nome daqui.

P: Ah, é? E aí? Como o senhor descobriu e o que aconteceu?

DC: Aí veio um cara da prefeitura e falou: “Vai abrir firma aqui”.

P: E aí, o que o senhor fez?

DC: Aí eu fui lá na prefeitura e falei: “Isso não pode ser...”

P: Então abriram firma com seu endereço...

DC: Só com o endereço.

P: E aí, nunca funcionou firma, de jeito nenhum?

DC: É casa, como vai funcionar firma aqui?

P: Então é gente querendo passar golpe?

DC: Só pode ser. Aí “toquei” ir lá na prefeitura, falei, vocês querem ir lá ver, vamos lá ver. Aí veio um fiscal ver.

P: E era firma de que?

DC: De asfalto, era firma de asfalto!

P: Faz tempo isso?

DC: Um ano, mais ou menos.

P: E foi esse Marlo?

DC: Aí eu não sei se foi ele ou se foi outro...


No endereço da Avenida Brasil, 231 (casa do funcionário da Daemo):

P: Bom dia.

Morador: Bom dia.

P: T’á atendendo agora?

M: Ôpa!

P: O Marlo ‘tá aí?

M: Ah, é o seguinte, é negócio da engenharia?

P: Isso...

M: Não!

P: Que horas eu encontro ele?

P: É difícil...

P: Ele não aparece aqui?

M: Não! É só com ele, ou...

P: Seria só com ele. Ele não aparece aqui?

M: Porque pros outros quem faz é meu filho, o André...

P: André Galvão?

M: É, exato. Ele tem escritório ali “óh” (aponta um salão na mesma avenida, três casas para cima). Mas, 12h30, 12h40 ele tá aqui. E ele tem o telefone também...

P: Qual o telefone dele?

M: (*)8512

P: Esse é do André?

M: É.

P: E o do Marlo? Você tem o telefone dele?

M: Não sei, não sei. Eles alugaram aí e pra te falar a verdade eu só vi ele uma vez.

P: Uma vez?

M: É.

P: Beleza, então, eu ligo pro André...

M: Mas projeto quem faz, que eu saiba, é o André. Fala com ele que ele te dá as dicas, se ele puder te ajudar tudo bem, senão ele passa a ‘bola’ pro Marlo.

P: O Marlo também é engenheiro?

M: Ele que eu saiba é o que faz a obra, entendeu?

P: Ele é o empreiteiro na verdade...

M: É.

P: E o André toma conta da parte de projetos...

M: Exatamente.

P: Então vai ser com o André mesmo...

M: É, né?

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