Prefeito vê ‘final feliz’ no desfecho da citação em propina

Geninho garantiu que nunca teve, nem ninguém da administração teve envolvimento com propina

 

O prefeito Geninho (DEM) negou esta semana que tenha qualquer envolvimento com os casos de recebimento de propina dentro da Operação Fratelli, divulgados pelos setores que investigam a chamada “máfia do asfalto”. Seriam R$ 219 mil ou R$ 239 mil conforme valores apresentados por dois veículos de informação na semana passada - Planeta News e Diário da Região, de São José do Rio Preto, respectivamente. “De forma nenhuma (ela existe)”, descartou Geninho.

 

“Queria deixar claro a toda população que a prefeitura de Olímpia, desde 2009, tem adotado medidas para que cada certame licitatório seja o mais transparente possível, inclusive na implantação do pregão presencial, e agora do pregão eletrônico. Todas as licitações foram pautadas nos princípios que regem a lei federal 8666″, disse o prefeito.

 

Ele nega com veemência envolvimento pessoal com o crime. “Nunca tive envolvimento pessoal e ninguém de nossa administração teve envolvimento pessoal. Então, como as investigações estão avançando, tenho certeza que no desfecho dela, a cidade de Olímpia terá um final feliz no tocante a esta citação”.

 

“Estamos com a administração cada vez mais pautada na transparência”, informou. “No que tange a possíveis envolvimentos do nome de Olímpia, quero deixar todos tranquilos que nós nunca se envolvemos (sic) e nunca vamos deixar se envolver (sic) com fornecedores da prefeitura”. De acordo com o prefeito, a MultiAmbiental coleta o lixo de Olímpia porque, “sem dúvida, foi a que ofereceu menor preço”.

 

Geninho ainda defende a empresa, dizendo que a MultiAmbiental “vem trabalhando bem, com um dos menores preços da região” e, portanto, “não temos nada a se opor (sic) ao trabalho dela em Olímpia.” E quanto a alegada propina, responde, rapidamente: “De forma nenhuma (ela existe).”

 

“DINHEIRO FOI PARA PROPINA”

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado-Gaeco de Rio Preto não tem mais dúvidas de que a planilha financeira encontrada na casa do empresário Olívio Scamatti contabilizou pagamentos de propinas a agentes públicos. A confirmação ocorreu a partir do cruzamento de informações existentes no documento e as interceptações telefônicas - autorizadas pela Justiça - realizadas durante a investigação que antecederam a operação Fratelli.

 

“Não existe mais dúvida de que o dinheiro foi para a propina”, afirmou o promotor de Justiça Evandro Ornelas Leal, que abriu investigação para identificar os nomes de políticos que aparecem na lista. “Usamos, por exemplo, as escutas telefônicas”, disse.

No tocante a Olímpia, pelo menos num dos repasses, de julho de 2011, consta o seguinte: “20 Ref. Rec. 17/05 – 20 6868,94″, levando a crer tratar-se de um valor correspondente a 10% do recebido pela empresa que, considerando vírgula mal colocada, seriam R$ 206.868,94.

 

A reportagem do Planeta News pesquisou na site “Transparência Brasil”, na internet, e lá consta um pagamento naquele mês e dia, à MultiAmbiental, no valor de R$ 251.759,26. Considerando os descontos de praxe, o montante poderia perfeitamente resultar naquele registrado na planilha. O registro é R$ 44.923,32 menor.

O empresário Olívio Scamatti, apontado como chefe da chamada Máfia do Asfalto, conseguiu habeas corpus no Tribunal Regional Federal e foi solto no início da noite desta terça-feira, dia 5, por volta das 19 horas.

 

CHEFÃO DA MÁFIA NA RUA

Olívio Scamatti, que estava preso no Centro de Detenção Provisória de Rio Preto desde o dia 18 de abril de 2013, acaba de ganhar a liberdade. A decisão, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), foi tomada, em votação unânime, na tarde de terça feira, 5. Os desembargadores federais da 1ª Turma do TRF3 acolheram habeas corpus impetrado pela defesa de Scamatti, controlador do Grupo Demop. Votaram pela liberdade de Scamatti os desembargadores Márcio Mesquita, José Lunardelli e Toru Yamamoto.

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