Oposição a Cunha pode ser maior a partir de agora na Câmara

Prefeito terá que ter bom jogo de cintura para lidar com a Casa de Leis, onde medidas de força só lhe trarão dores de cabeça, uma vez que a oposição parece ter ganhado novos adeptos

O prefeito Fernando Cunha (PR) deverá se defrontar, nestes próximos dois anos, com uma Câmara de Vereadores bem mais oposicionista que a que teve nos dois anos passados, e da qual reclamava tanto. Até o final de 2018, embora o presidente não fosse do seu grupo político, não houve choques graves nem protelações de votações que pudessem comprometer o Executivo.

Paradoxalmente, agora que a Casa de Leis passa a ter na presidência um vereador de sua base política, Antônio Delomodarme, o Niquinha (Avante), as expectativas são as de que o prefeito terá que enfrentar uma Casa mais oposicionista e por isso terá que adotar a negociação, o entendimento e o consenso mais que a força, como algumas vezes ocorreram nos anos passados.

Porque, segundo consta, até aliados de primeira hora o prefeito teria perdido. Sua bancada fiel teria diminuído, ou mesmo se tornado minoria, contando que o presidente só vota em casos de empates. Como votos fiéis, portanto, Cunha poderia contar com quatro legisladores. Os votos “flutuantes” –que podem pelo menos gerar insegurança legislativa ao Executivo, seriam cinco.

“É esse o quadro político que caberá a Niquinha administrar. É essa delicada configuração política que caberá ao prefeito controlar”, disse uma fonte. “Se não houver diálogo, a busca do consenso, o entendimento entre partes, as coisas podem se complicar”, reiterou esta fonte.

Porque, na verdade, conforme o viés político que se desenha para estes próximos dois anos, o prefeito não terá sequer maioria simples efetiva. Até quem estava com o governo municipal nos dois anos passados, este ano ameaça ser, no mínimo, “franco-atirador”, como é o caso do vereador Hélio Lisse Júnior (PSD), até então principal porta-voz das decisões cunhistas, embora não tenha sido seu líder na Casa de Leis.

A se confirmar, o prefeito perde um forte interlocutor no Legislativo. Outro que ano passado, pelo menos, navegou no barco cunhista, Flávio Augusto Olmos (DEM), já deu mostras de que se afastará, conforme informações de bastidores chegadas ao jornal. Ele tentará recuperar a boa aceitação que tinha perante a opinião pública, enquanto oposicionista.

Assim, o prefeito poderia dar como certos os votos de João Magalhães (MDB), seu líder na Câmara, suplente de Cristina Reale (PR), nomeada secretária de Assistência; José Elias de Morais, o Zé das Pedras (PR), “amarrado” nas benesses políticas recebidas, inclusive com direito a nomeação de secretária, no caso Tina Riscali; Marco Antonio Parolim de Carvalho (PPS), preso à suplência de Selim Jamil Murad (PTB), secretário de Turismo e Cultura, e Fernando Roberto da Silva, o Fernandinho (PSD), hoje com as portas de Secretaria da Saúde escancaradas para si, já que seu mentor político, Hilário Ruiz, compôs-se com o governo municipal, nomeando o secretário Marcos Pagliuco e alguns correligionários.

Outro detalhe desta relação de Cunha com o Legislativo é que ele havia sido enfático ao afirmar que, para a Mesa da Câmara, não apoiaria, em hipótese alguma, candidato de sua base que fosse lhe pedir aval “com votos do Geninho”. E ao final, não só aceitou os “votos do Geninho”, como aceitou o próprio deputado federal estar representado na Mesa Diretora nas figuras de Pimenta e Luiz do Ovo.

Também paradoxalmente, apesar dos pesares, Cunha tem nesta Mesa Diretora “o melhor dos mundos”, bem como, também, o deputado federal que assume nesta sexta-feira o mandato, Geninho Zuliani (DEM). Caso contrário, o chefe do Executivo teria que “engolir” uma Mesa “indigesta”, que segundo o Planeta apurou, seria qualquer uma fora desta configuração.

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