Ocorrência no Santa Ifigênia é fruto do combate ao tráfico

De acordo com o comando da PM, a movimentação dos moradores, de certa forma, era esperada

Pelo menos três balas de uma submetralhadora, marca Taurus, calibre 0.40, atingiram o tórax do desempregado Mário Cezar da Silva, de 28 anos, morador na Rua 5, no Jardim Santa Ifigênia, que acabou morrendo. Os disparos foram feitos pelo tenente Vilela, também de 28 anos, que comandava uma operação da Polícia Militar naquele bairro, visando combater o tráfico de drogas. A polícia afirma que foi um revide. Com o desempregado foi encontrado um revólver, calibre 38, com quatro projéteis deflagrados.

Foi o suficiente para que parte dos moradores das imediações do local do fato se rebelasse, ateando fogo em um ônibus de transporte coletivo da Prodem, destruindo-o por inteiro. No dia seguinte, nas horas em torno do enterro da vítima, muitas ameaças, muitas mensagens via redes sociais trouxeram desassossego à população e ao comércio em geral, que cerraram suas portas a partir das 14 horas. Nas escolas, mães assustadas buscando as crianças antes do encerramento das aulas.

Os boatos davam conta de que haveria um “arrastão” partindo do cemitério, após o sepultamento, passando pelo centro e “quebrando tudo”, conforme prometiam.  Nada disso aconteceu. Nem no bairro a situação ficou crítica na sexta-feira, 15, à tarde. O comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar de Olímpia, Vinícius Zopelari, diz ao Planeta News que o efetivo estava preparado e a postos, para em qualquer eventualidade garantir a segurança do cidadão.

“Quanto aos boatos que houve, a Policia Militar sempre não descarta esse tipo de situação. Nós montamos uma operação no final de semana inteiro para a proteção da população de Olimpia e dos cidadãos de bem.  A Policia Militar aqui vai sempre tomar controle, sempre em prol da população”, enfatizou o comandante na entrevista exclusiva ao Planeta News.

O FATO
A operação da Polícia Militar estava sendo realizada na noite de quinta-feira, por volta das 19 horas. Segundo Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Polícia de Olímpia pelo delegado Marcelo Pupo de Paula, quando ele chegou no local do fato, na Rua Paulo Roberto Campos Júnior (Rua 8), nº 84, no jardim Santa Ifigênia, deparou com  o tenente Vilela e o cabo Nairton, da Polícia Militar.

Os militares alegaram que realizavam uma “operação saturação” pelas ruas do bairro quando visualizaram alguns rapazes em uma das ruas, entre eles, Mário Cezar da Silva, que, quando percebeu a aproximação da viatura da polícia e que iria ser abordado fugiu se escondendo em uma das casas do bairro. Com isso, segundo a polícia, foi feito uma “varredura” com a autorização dos moradores naquele quadrilátero.

Foi quando chegaram na casa da Rua 8, número 32, e Mário Cezar, que estava escondido, saiu e, utilizando força física, correu para o interior da casa alcançando um corredor lateral. No entanto, quando Mário Cezar chegou na rua defronte a casa, deparou com o tenente Vilela e o cabo Nairton. De acordo com a versão policial, o desempregado realizou disparos de revólver em direção aos policiais. Foi quando, segundo o que foi relatado na polícia civil, teria havido o revide, tendo Márcio Cezar sido atingido na altura do tórax. Ele ainda foi socorrido pelo SAMU, mas acabou falecendo ao dar entrada na UPA de Olímpia.

Passado o tumulto, o Planeta News procurou o capitão Zopelari, para que ele desse a versão da autoridade sobre o fato, uma vez que os boatos ao longo da semana falavam em execução.

“A Policia Militar está fazendo um combate duro contra o tráfico de drogas na região. E em Olímpia, nos bairros, é no Santa Ifigênia. Semanalmente estamos praticando algumas operações policiais lá para combater o tráfico. Na quinta-feira, especificamente, o tenente, junto com algumas guarnições, algumas equipes policiais, foram realizar a operação policial e já conhecendo o cidadão da citada ocorrência, o Mario Cesar, verificaram ele no meio da rua. foram tentar aborda-lo,  ele saiu correndo, não obedecendo uma ordem de parar. Foi correndo por cima de algumas casas, invadindo diversas residências e se escondeu dentro da residência da Rua 8, nº 84”, começou contando o comandante.

“Os policiais militares fecharam o quarteirão, foram fazendo varredura para tentar encontra-lo, já conhecido por passagem por tráfico, roubo, por furto, enfrentamento, resistência contra policiais militares e policiais civis. E foram fazendo esse cerco no bairro, naquele quarteirão em que ele se escondeu, e o localizaram naquele endereço.  Acompanhado das moradoras da residência, entraram não sabendo exatamente que ele estaria ali. Até que verificaram uma porta trancada dentro de um quarto com a chave para dentro. A moradora foi que arrombou a porta do quarto. Nesse momento, ele saiu correndo, segundo o relato de testemunha, com algo no mão. Ela não viu especificamente se era uma arma ou não. Como o local ali é bem apertadinho, ele já saiu no corredor”, prossegue Zopelari.

“Os policias estavam na frente da residência, no portão, e ele, de arma em punho, efetuou um disparo na direção do cabo Nairto e ele, no revide, efetuou um tiro de borracha com uma calibre 12. Já o tenente efetuou três disparos com uma ponto 40 e acabou acetando ele, solicitando o regaste para o socorro. Os policiais ficaram ali para proteger o local, até por que era um local de crime, a arma no chão. Após isso ele foi socorrido”, detalha Zopelari.

“Depois – continua - compareceram várias equipes policias no local para verificar o local, as condições do disparo, o lugar que foi alvejado e tudo mais, qual foi situação do confronto. Compareci ao local, bem como o comandante do Batalhão, coronel Marcondes, que acompanhou tudo. O delegado Marcelo (Pupo de Paula) também ao local. Então, todas as providências de policiamento foram tomadas”.

“Posteriormente à ocorrência, no momento em que estávamos no local tomando as providências legais cartorárias do fato, em área isolada nas duas esquinas, começamos sofrer ataques com pedradas. O pessoal jogava detrás de outras ruas na nossa direção, caindo pedras em viaturas, quase acertando os policias. Em virtude dessas agressões fomos dispersando as pessoas com munição química, que é chamada de munição de tumultos, para o pessoal dispersar e deixar as equipes policiais trabalharem normalmente. Nesse momento, já tínhamos o reforço de Barretos e a guarnição de Olimpia. No momento em que o major de Barretos chegou, a população já começou a soltar rojões em cima da viatura dele”, contou o comandante da PM olimpiense. 

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