Obras do futuro Museu de Artes Sacras estão sendo finalizadas

Prefeito insiste no projeto mesmo a cidade não possuindo acervo e muito menos tradição religiosa que justifique a iniciativa; sem contar que, para tanto, usurpou o Museu do Folclore

Prefeito em visita ao futuro museu

Há cerca de 15 dias, o prefeito Fernando Cunha, acompanhado do secretário de Obras, Engenharia e Infraestrutura, Leandro Pierin Gallina, foi conferir o andamento das obras de reforma e restauração do conhecido Palacete Tonanni, prédio que abrigava o Museu de História e Folclore “Maria Olímpia”. O executivo municipal já usa o verbo no passado, porque decidiu usurpar aquele imóvel, adquirido pelo município com a finalidade exclusiva de ser a sede do Folclore em exposição.

Mas, o prédio, futuramente, será a sede do primeiro Museu de Arte Sacra da Estância Turística de Olímpia. O prefeito Cunha (Sem partido) insistirá neste projeto, mesmo a cidade não possuindo acervo e muito menos tradição religiosa que justifique esta iniciativa. No total, foram investidos R$ 303.720,88, sendo R$ 289.589,67 de emenda parlamentar da deputada federal Keiko Ota (PSB), por meio do Ministério do Turismo, e mais R$ 14.131,21 de contrapartida da prefeitura.

Aquele palacete foi recuperado pelo poder público, nos anos 70, para exclusivamente ser o Museu de História e Folclore “Maria Olímpia”, com o que, aparentemente, o atual prefeito não concorda. Aliás, a reforma que está sendo feita nele já está atrasada em praticamente 10 meses, uma vez que teve início em julho de 2018, com previsão de seis meses para conclusão, ou seja, era para estar concluída em dezembro passado. A obra toda já dura uma ano e três meses.

Instalar ali o M.A.S. não é outra coisa se não uma fixação do prefeito, uma vez que Olímpia não cultiva esta tradição da religiosidade e muito menos possui um acervo sacro para ser depositado ali para visitação pública. Segundo o que foi apurado pelo Planeta News, trata-se, a arte sacra, de um material de alto custo, ainda que não seja exposição permanente.

Não há informação oficial sobre as bases em que se assentará este museu. Uma fonte manifestou ao jornal o perigo de se confundir arte sacra com arte religiosa, esta última mais fácil e de custo bem inferior, já que poderia ser montado o museu com peças doadas por cidadãos e até pelas comunidades religiosas locais.

Porque embora o conceito de arte religiosa e arte sacra se aproximem, há uma diferença essencial que as definem. A Arte sacra é constituída de obras de teor religioso que, entretanto, estão relacionadas aos rituais. Sua função é ornar os locais em que os ritos e celebrações religiosas ocorrem, envolvendo assim, as sensações de religiosidade e fé dos fiéis envolvidos, mediados por um ambiente sagrado chamado de “espaço litúrgico”.

Já a Arte religiosa reúne obras artísticas de cunho religioso representadas por esculturas de santos, pinturas de passagem bíblica. Essas manifestações geralmente estão fora dos lugares de cultos e rituais religiosos. Em resumo, ambas possuem temática religiosa e tem como intuito adornar os espaços. Porém, a arte sacra é produzida para fazer parte dos cultos divinos ou rituais religiosos.

E como em Olímpia este acervo, quando houver, será colocado fora do lugar de culto e rituais religiosos, o museu pretendido por Cunha, então, poderá ser, no máximo, de Arte religiosa, o que não tem a mesma importância histórica e cultural.

Quanto ao Museu do Folclore, transferido para o Palacete nos anos 70, se mudou, como se sabe, para imóvel cerca de 200 metros acima do original, mas na mesma Rua David de Oliveira. Diz o prefeito que futuramente será instalado na Estação Ferroviária, onde será construído um Centro Cultural e Turístico.

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