Mutuários cobram informações do ‘Minha Casa’

CEF deve entregar chaves dia 12 de novembro; ‘Estamos sem assistência’, reclamam compradores

 

 

Mesmo com nota oficial divulgada recentemente pela empresa responsável por construir o “Village Morada Verde”, dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo federal, os compradores de imóveis ali continuam manifestando dúvidas e insegurança quanto ao que vão encontrar quando já estiverem de mudança para o conjunto.

 

Nos últimos meses eles têm manifestado muita ansiedade e criado polêmicas quanto às obras. E o motivo para tanto barulho é um só, segundo eles: a falta de informação e transparência quanto ao que está sendo feito lá. A maior dúvida, no entanto, é se de fato as casas serão entregues no dia 12 do mês que vem, junto com as chaves, ou posteriormente.

 

É que, dada a ansiedade e a insegurança, muitos compradores de imóvel ali têm invadido o canteiro nos finais de semana, e dizem que lá recebem informações – não-oficiais - de que as casas não ficam prontas antes do final do ano. Ou seja, a entrega das chaves, no mês que vem, seria apenas um ato simbólico. Os moradores querem ver as casas com os próprios olhos, para dirimir suas dúvidas. Mas, não se sabe da parte de quem, estão criando dificuldades para que isso aconteça.

 

Recentemente, o relações-públicas da Pacaembu Construtora, empreiteira responsável pela obra, Willian Batista, da Lacerda Comunicações, de São José do Rio Preto, havia assumido compromisso com estes moradores, de levar um grupo representativo para ver o conjunto e tirar a dúvidas, antes da conclusão das obras e entrega das casas. Mas, até esta semana, nenhuma resposta afirmativa foi dada. A conclusão da construção está prometida para dia 31 de outubro.

 

AQUECEDORES SOLAR
Outra polêmica grande é com relação a ter ou não ter aquecedores solar nos imóveis. Batista diz que “não está prevista a instalação de aquecedores solares no empreendimento” e que “esse item nunca foi anunciado pela construtora”. Porém, houve sim, o anúncio de que as casas teriam o equipamento. E isso foi feito pela própria assessoria do prefeito Geninho (DEM), em vídeo feito no dia 20 de maio passado, e postado na página oficial da Prefeitura em 27 daquele mês.

 

Sob o título “Obras do ‘Minha Casa, Minha Vida’ seguem a todo vapor – Conheça a casa-modelo”, o assessor de imprensa Júlio César Faria diz, no vídeo, a certa altura: “O projeto arquitetônico ‘Village Morada Verde’ prevê a construção de casas de dois e três dormitórios. Inclusive, com avançado sistema de energia solar”. Até ontem o vídeo ainda estava na página (acesse www.olimpia.sp.gov.br e busque “Minha Casa, Minha Vida”).

 

“Os aquecedores são uma exigência do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ para empreendimentos com renda familiar de 0 a 3 salários mínimos e o ‘Village Morada Verde’ é voltado para famílias de 0 a 6 salários mínimos, sendo que todas as casas possuem laje e cobertura (telhas) de concreto”, explica Batista no ofício.

 

Outra queixa, a das “casas geminadas”, também tem que estar sempre sendo rebatida, dada a insistência do comprador em questionar. “Não há casas geminadas no ‘Village Morada Verde’, já que todas têm estrutura e alicerce próprios”, rebate a nota.

 

Mas, há 10 casas de 3 dormitórios (54,38m²), localizadas em esquinas (terreno de 162,50 m²), que foram construídas de tal modo que uma das paredes da casa tinha que ficar na divisa interna do lote, ou seja, encostada na parede da casa vizinha, “para atender às Normas Técnicas e Código de Obras vigentes”. A empresa garante, no entanto, que não há “a menor possibilidade de transmissão de ruídos de uma casa para a outra”.

 

13ª PARCELA
Também está gerando muita reclamação a cobrança de uma 13ª parcela a título de “taxa” que varia entre R$ 204 a R$ 206, quando o acertado, segundo mutuários, seria o pagamento de apenas 12, e após este prazo, com as casas entregues, já se começaria a pagar as prestações delas.

 

Mas, o prazo de entrega estipulado inicialmente – 30 de setembro, não foi cumprido, e as prestações não foram encaminhadas. Mas, a surpresa veio com esta parcela extra de taxa que a maioria dos compradores nem sabe para que finalidade é cobrada.

 

“Faltam informações. Estamos sem assistência nenhuma”, reclamam os futuros moradores do “Village”.

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