Município vai repassar R$ 450 mil à Santa Casa de Barretos

Dinheiro seria parte daquele destinado ao Duodécimo da Câmara de Vereadores, cujo presidente, Antonio Delomodarme, diz que ‘não é dinheiro da prefeitura’

O município da Estância Turística de Olímpia deverá repassar para a Santa Casa de Misericórdia de Barretos, a partir do mês que vem, R$ 450 mil, divididos em oito parcelas, até dezembro próximo, no valor de R$ 56,25 mil cada uma. Para tanto, a Câmara de Vereadores terá que aprovar projeto de Lei que dispõe sobre abertura de crédito suplementar, propositura que foi retirada da pauta da sessão ordinária de segunda-feira passada, 2 de abril, sob o número 5.464/2019.

Já na apresentação a proposta gerou dúvidas em cidadãos presentes à sessão, e um deles, inclusive, questionou o vereador Hélio Lisse Júnior (PSD), quando este defendia a proposta, da Tribuna. O principal argumento do vereador é o de que o dinheiro serviria para custear os atendimentos de média e alta complexidade que aquele hospital presta sempre que necessário aos munícipes. Lisse chegou até mesmo a dizer que, fazendo este repasse, não vai mais haver problemas de falta de vaga para internação em suas instalações.

“Esta verba tem o objetivo de contratualização com aquele hospital, para que não tenhamos que ouvir mais que fulano está internado na UPA e não tem vaga (em Barretos)”, disse o vereador. O atendimento seria em casos de média e alta gravidade, como infarto, outras complicações mais sérias, acidentados graves, etc. Ao ser contestado ali mesmo durante a fala por cidadãos nas galerias, ficou irritado. Perguntaram a ele por que não encaminhar este dinheiro para a Santa Casa de Olímpia, ao invés de Barretos.

“Só se for para mandar para lá o paciente, que vai morrer lá”, disse, aludindo à falta de estrutura do hospital olimpiense, para atender casos de maior complexidade. “O objetivo é resolver os gargalos da Saúde”, completou.

Já o presidente da Câmara, Antonio Delomodarme, o Niquinha (Avante), escaldado com o barulho da aprovação do empréstimo de R$ 7 milhões, tratou logo de amenizar a situação, dizendo, entre outras coisas, que este repasse “é uma economia nossa (da Câmara), não vai mexer no dinheiro da prefeitura”. O prefeito Fernando Cunha (Sem partido) tiraria o montante do duodécimo da Câmara que, no final das contas, seria sim, dinheiro da prefeitura.

O presidente disse também que esta não é uma ideia só sua, que todos os vereadores concordaram. “Todos sabemos que em Olímpia não temos socorro médico de média e alta complexidade. Partindo disso, dei a sugestão ao prefeito, que usasse o duodécimo que vamos devolver para a prefeitura, para contratualizar a Santa Casa de Barretos para atender os casos mais graves de Olímpia”, informou.

No entanto, embora o discurso do presidente, ficou patente, na sessão de segunda-feira, que a decisão veio de cima para baixo. Uma fonte revelou ao Planeta que o presidente Niquinha apenas se “apossou” da autoria, com fins políticos. Tanto é que o secretário municipal de Saúde, Marcos Pagliuco, estava acompanhando a sessão. O dinheiro será repassado à sua Pasta e ele tratará desta questão junto ao hospital. O projeto foi retirado da pauta na segunda-feira, para que Pagliuco vá à Câmara dar detalhes da pretensão, e qual será a contrapartida do hospital. Niquinha não revelou se já havia data definida para este encontro.

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