Lixo pode ter rendido propina em Olímpia

Fonte:www.diarioweb.com.br

Segundo matéria publicada no jornal rio-pretense, Diário da Região, a denominada Máfia do Asfalto, que em Olímpia prestava muito mais que serviços asfálticos, teria feito pagamentos mensais de propina, com valores, em média, de R$25 mil, a autoridades de nossa cidade. Veja na íntegra a matéria assinada pelo jornalista olimpiense, Alexandre Gama e Rodrigo Lima.

Planilha financeira encontrada em pen drive apreendido durante a operação Fratelli em poder do empresário Olívio Scamatti, preso sob acusação de chefiar a chamada Máfia do Asfalto, indica possível pagamento de propina a deputados estaduais e federais, além de agentes e órgãos públicos, que chegaria a R$ 12,2 milhões. Os documentos revelam o que seria controle da contabilidade paralela do empresário apontado pelo Gaeco, Ministério Público Federal e Polícia Federal como responsável por fraudes em licitação para recapeamento asfáltico em pelo menos 62 cidades da região Noroeste do Estado. 

Os dados revelam pagamentos de “caixinha” que variam de R$ 1 mil até quantias vultosas de R$ 100 mil a nomes identificados como “Itamar”, “Vaccarezza”, “Dado”, “Devanir”, “Vinholi”, “Alex/SJRP”, “Meidão”, “Jabis”, “Gilmaci”, “Doniseti Braga”, “Aldo Ribeiro”, “Mentor”, “Zé Francisco/Tanabi” e “Tatto.” 
Além de nomes de possíveis autoridades e políticos, a planilha encontrada em poder de Olívio Scamatti possui farta citação de pagamentos em cidades cidades. 

Alguns exemplos são “lixo Olímpia”, Cardoso, Guaraci, Ilha Solteira, Mirassol, Monte Aprazível, Pirangi, Planalto, Santa Fé do Sul, Santa Adélia, Uchoa e Valentim Gentil.”Consta ainda pelo menos 12 citações a quantias destinadas ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a engenheiros do órgão em Rio Preto, Barretos e Presidente Prudente, entre outros, como “ETA Barretos”, Petrobras e Brasília. 

Com 13 páginas, a planilha foi encontrada em pen drive apreendido pela Polícia Federal durante a força-tarefa que resultou na maior operação já registrada na região Noroeste de São Paulo. O esquema era investigado desde 2008 pelo Gaeco de Rio Preto e ganhou o reforço da PF e do MPF de Jales em 2012. 

Além da planilha apreendida com Olívio Scamatti, já está em poder da Procuradoria Geral de Justiça em São Paulo outro balanço financeiro, este encontrado com o contador do grupo Ilso Donizeti Dominical que também relaciona nomes de deputados e autoridades com valores em reais que somam R$ 3,04 milhões. 

Entre os pagamentos, está aquele revelado ontem pelo Diário ao prefeito de Catanduva, ex-deputado estadual Geraldo Vinholi (PSDB), que teria recebido R$ 20 mil do grupo. O nome de Vinholi volta aparecer no material pertencente a Olívio. O tucano repudia e nega a suspeita que recai sobre ele, assim como os outros possíveis envolvidos. 

 

Citados por Olívio negam participação na fraude

Os possíveis beneficiários da suposta propina negam qualquer tipo de envolvimento com o esquema de liberação de emendas para obras que beneficiaram empresas do Grupo Scamatti, com sede em Votuporanga. Alex de Carvalho, ex-chefe de gabinete do prefeito Valdomiro Lopes (PSB), negou que seja ele o “Alex/SJRP” que é citado na planilha apreendida na operação Fratelli na casa do empresário Olívio Scamatti. 

O secretário de Comunicação, Deodoro Moreira, afirmou que Alex, atualmente presidente da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), não tem nenhuma relação com os membros do grupo Scamatti. “Isso chega a ser uma leviandade”, afirmou Deodoro. 

O prefeito de Catanduva, Geraldo Vinholi, que já havia aparecido em planilha do contador do grupo - Ilso Donizete Dominical - voltou a negar ontem qualquer “envolvimento ou contato com os empreiteiros em questão e repudia com veemência a inclusão de seu nome”. “Durante 16 anos como deputado estadual, Vinholi atendeu os municípios da região noroeste, seu reduto eleitoral, com emendas parlamentares, sem distinção e com valores significativos, sempre alcançando resultado eleitoral expressivo nos municípios.”

O deputado Itamar Borges (PMDB) negou também que ele seja o “Itamar” mencionado no documento de Olívio. “O deputado Itamar Borges desconhece completamente esse assunto”, afirmou sua assessoria. O peemedebista afirmou que “nunca” recebeu qualquer quantia do empresário, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP). 

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT) afirmou que “não existe a menor hipótese” dele ter recebido dinheiro da máfia do asfalto. “Repito, não existe hipótese desse dinheiro ter passado na minha mão”, afirmou o petista. 
O ex-deputado estadual e atual prefeito de Mauá, Donisete Braga (PT), disse desconhecer os fatos relacionados ao Grupo Scamatti. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), afirmou que não conheço nenhuma das pessoas envolvidas. 

“Já em abril passado, requeri à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar de forma aprofundada as eventuais citações acerca de meu nome. (...) busquei a única maneira de produzir prova negativa frente a citações e ilações caluniosas sobre as quais não tenho nenhum controle”, disse por meio de nota.

O ex-vereador Jabis Busqueti e o deputado João Dado (SDD)também negam ser eles o “Jabis” e o “Dado” que aparecem na planilha de Olívio. A assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) negou conhecer o suposto esquema de propina apontada em regionais do órgão em Rio Preto, Presidente Prudente e Barretos. o estadual Sebastião Santos (PRB) e outros possíveis envolvidos no caso não se manifestaram sobre o assunto.

Na versão on-line do jornal estão disponíveis as planilhas na íntegra. www.diarioweb.com.br




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