Lei proibirá pesca no trecho ‘nobre’ do Olhos D´água

Projeto de ‘Marcelo da Branca’ tem viés higienista; segundo o co-autor Beto Puttini, lei limpará a margem de moradores de rua

 

Também foi aprovado em primeira discussão na sessão de segunda-feira passada da Câmara de Vereadores, o projeto de Lei  4.545, de autoria do vereador Leandro Marcelo dos Santos, o “Marcelo da Branca” (PSL), elaborado sob orientação do presidente da Mesa, Beto Puttini, conforme ele mesmo revelou. Trata-se da proibição da pesca às margens do Rio Olhos D´água, para cuja justificativa ambos usaram de termos preconceituosos, a demonstrar uma intenção puramente higienista por trás.

“Pode parecer um projeto sem pé nem cabeça. Mas quem está andando pela avenida vê a pouca vergonha”, começou dizendo “Da Branca”, deixando claro que sua preocupação é com o fato de o turista ver “todo mundo pescando” ali. Ele diz ainda que não se importa com o que pensam a respeito do seu projeto de Lei, e que não importam as críticas. “Importa é resolver o problema”.

Relata o vereador que estão vendendo na cidade tilápias a R$ 8 o quilo para os bares da periferia, que os vendem como porções a seus clientes. Ou que “estão fritando peixe na avenida”. A vereadora Cristina Reale Thereza (PR) apoiou a iniciativa dizendo que o vereador demonstra ter “cuidado com as pessoas”.

Mas, este “cuidado” estará restrito às pessoas que pescam no trecho da Avenida Dr. Andrade e Silva até a ponte da Constitucionalistas de 32. Exatamente por onde passam os turistas e veem “todo mundo pescando” e a “pouca vergonha”. Porque da Andrade e Silva para cima, sentido captação, e da Constitucionalistas para baixo, sentido Thermas dos Laranjais, ninguém vê os que ali pescam.

Ou seja, pode tratar-se de uma medida higienista, no sentido de “lustrar” aquele trecho para o turista ver, tirando dali as pessoas indesejáveis a pescar, e preconceituosa, porque atenta contra pessoas de menor poder aquisitivo, bem como moradores de rua. E é contra esses, aliás, que o presidente Puttini mais demonstrou ênfase ao discursar. “Estamos aqui para fazer leis”, sentenciou “Da Branca”.

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