Fim das sacolinhas gera controvérsias

Desde 4ª feira supermercados já as estão vendendo por R$ 0,19 ou até R$ 1,99

 

Desde quarta-feira, 25, supermercados de todo Estado deixaram de fornecer aos seus consumidores as sacolinhas plásticas que já estavam incorporadas ao dia-dia do cidadão. Em Olímpia já não se vê mais estas sacolinhas nos balcões. A mudança gerou controvérsias, opondo donos de supermercados e fabricantes deste produto, que já falam em desemprego em massa. Para o consumidor, aparentemente não haverá nenhuma vantagem financeira.

 

Os consumidores foram criativos: sacolas reutilizáveis, carrinhos de feira, caixas de papelão e até mochilas foram usados para transportar as compras. “É uma questão de mudança de comportamento. Esta é apenas a primeira das muitas ações que iremos repensar. O meio ambiente precisa de nossa atenção”, ressaltou o presidente da Associação Paulista de Supermercados-APAS, João Galassi.

 

Para Renato Martins, diretor regional da APAS, o primeiro dia da campanha foi bem tranquilo. “A maioria das pessoas é favorável à campanha. No primeiro dia os consumidores foram bem receptivos. Agora é uma fase de adaptação”, disse. Em toda região, a campanha tem a adesão de 113 supermercados, em 35 municípios.

 

Em Olímpia, as redes Extra, Tome Leve e Iquegami, as três maiores da cidade, já não distribuem mais as sacolinhas à base de petróleo. Os estabelecimentos passaram a vender sacolas biodegradáveis, de amido de milho, por R$ 0,19 a unidade, e disponibilizam caixas de papelão ao consumidor. No Tome Leve e Iquegami, pelo menos, o consumidor pode também comprar uma sacola estampada retornável, por R$ 1,99.

 

Importante frisar que essa medida não tem efeito de lei, ou seja, participa o supermercado que quiser. Se algum estabelecimento quiser continuar oferecendo a sacolinha descartável, não poderá ser punido. Quando todos os consumidores aderirem à iniciativa, mais de três milhões de sacolinhas deixarão de poluir o meio ambiente em Olímpia todo mês. No Estado, serão 557,1 milhões de sacolas a menos na natureza mensalmente.

 

Estas sacolinhas, distribuídas há décadas por supermercados, já estavam incorporadas ao cotidiano da sociedade, que a reutilizam para tudo, principalmente para acondicionar o lixo doméstico. Agora, elas terão que ser trocadas por sacos de lixo, que custam até R$ 19 ou mais a embalagem com 10 unidades. As sacolas descartáveis são feitas à base de petróleo (polietileno) e demoram em torno de 400 anos para se deteriorarem, poluindo o meio ambiente.

 

DESEMPREGO
Os fabricantes de sacolas plásticas já sentiram os primeiros efeitos do acordo entre as entidades representantes dos supermercados e os governos da cidade de São Paulo e estadual com o objetivo de restringir a distribuição gratuita do produto no varejo. Desde dezembro, informam representantes da cadeia plástica, grandes redes varejistas interromperam as encomendas. Em resposta à queda das vendas, algumas fabricantes do produto já anunciaram as primeiras demissões, situação que também deve atingir o setor de máquinas utilizadas no segmento.

 

“Há mais de um mês as empresas suspenderam as compras e as demissões já começam a criar apreensão nos sindicatos”, destaca o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis-Abief, Alfredo Schmitt, sem quantificar o número de demitidos até o momento. O consumo de sacolas plásticas no Estado de São Paulo movimenta aproximadamente R$ 200 milhões por ano, segundo estimativas de especialistas do setor.

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