Executivo já não esconde queda-de-braço com diretoria da ACIO

Presidente da entidade, Flávio Vedovato, acredita que este desencontro de interesses não tem cunho técnico, mas, sim, pessoal; atitudes têm criado embaraços à diretoria da Associação

Já por duas a três vezes em público e, suspeita-se, outras tantas nos bastidores, o Executivo Municipal vem dando mostras de que estaria sustentando uma queda-de-braço com a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Olímpia-ACIO. Tendo à frente o assessor de Gabinete Túlio Antônio Pinheiro, o Executivo tem mantido reuniões e realizando eventos de nível comercial sem convidar seu presidente ou mesmo sequer comunicar a entidade representativa do comércio e indústria locais.

A mais recente ocorreu na tarde de segunda-feira passada, 27, na Casa da Cultura, um encontro com diversos empresários promovido pela prefeitura da Estância Turística de Olímpia, com intuito de “debater diretrizes e elencar pontos para incentivar ações do comércio”. O presidente da ACIO, Flávio Vedovato Arantes, disse ter tomado conhecimento deste encontro “por comerciantes que foram e pelos que não foram em respeito à entidade”. O comparecimento ao encontro foi mínimo, e o palestrante foi Pinheiro.

“Há uma total falta de ética na realização destes encontros sem a participação da ACIO”, criticou Vedovato. Outra decisão governamental que o presidente da ACIO não tinha conhecimento foi a publicação do Decreto 7.462, de 28 de maio de 2019, no Diário Oficial Eletrônico de quarta-feira passada, 29, medida, inclusive, que pode ferir leis e convenções trabalhistas. “Ele (prefeito) não pode fugir da CLT ou das convenções coletivas”, opinou.

Este Decreto dispõe sobre o funcionamento em horário especial dos estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviço, regulamentando o Capítulo 7 - Do Horário de Funcionamento de Estabelecimentos, da Lei nº 4.076, de 3 de fevereiro de 2016, que institui o Código de Posturas do Município de Olímpia.

Nota oficial da prefeitura assume que além da coordenadoria do assessor de Gabinete, Túlio Pinheiro, o encontro periódico entre o poder público e os empresários é iniciativa do prefeito Fernando Cunha (Sem partido), “para estimular o desenvolvimento comercial”. Este último realizado trouxe como pauta principal “a viabilidade de estender o horário de funcionamento das lojas às sextas-feiras até às 22 horas”.

Sobre esta possibilidade, os comerciantes presentes puderam dar opiniões e sugestões sobre como aumentar o horário de expediente e as ações que cada lojista pode fazer. Ou seja, prerrogativa que teria que ser da Associação, até mesmo em parceria com o Poder Público. Mas, neste caso, o processo foi invertido, porém sem a participação da ACIO.

QUEBRANDO PRERROGATIVAS
Outra questão, a discussão sobre datas sazonais do comércio, como Dia dos Namorados, Dia das Crianças, Natal e outras datas comemorativas importantes para as vendas, igualmente da prerrogativa da entidade, foi tomada pelo Executivo. “Isso tudo não tem cunho técnico, é pessoal”, avalia Arantes.

O presidente disse ter recebido informações de que nestes encontros, estariam ocorrendo ataques à sua pessoa e à entidade como um todo. Ele suspeita que estaria sendo alijado do processo por ter tido ligações com o governo passado, de Geninho Zuliani (DEM). “Acredito que fui rotulado (como genista)”, aponta. “Mas o prefeito precisa estar acima destes constrangimentos”, observou.

Vedovado observa que não está contra as ações do Governo Municipal em si, mas condena a forma como estas ações vêm se desenvolvendo. “A forma de fazer é que não está certa”, complementa. “Chamar comerciantes e não chamar a sua entidade representativa não é justo”. A questão é: querem me atingir, ou querem atingir a Associação? Ao invés de pensarmos em nossos umbigos, devíamos trabalhar juntos em prol do fortalecimento do comércio, que precisa, sim, do poder público junto nas ações. Mas é preciso ter bom senso. Se querem manter uma queda-de-braço, eu digo que não vou parar as ações por causa disso”, arrematou.

Vedovato cobrou mais atenção do governo municipal aos projetos que desenvolve com olimpienses. Informou ter atualmente entre 200 a 230 alunos no curso de qualificação profissional que a entidade desenvolve, e outros 130 dentro do programa “1º Emprego”, que se reúnem aos sábado pela manhã. São cursos desenvolvidos pela entidade em parceria com os comerciantes. “Eu não vi até agora, nenhum representante do Poder Público vir conhecer nosso projeto”, lamentou.

Nas palavras de Túlio Pinheiro, “cada comerciante tem se mobilizado para criar medidas que alavanquem as vendas locais e, em contrapartida, o município tem estabelecido ações que viabilizem a movimentação nas ruas locais. Neste encontro pudemos abordar como será instalado o calçadão e as ideias que estamos discutindo para o Natal. Queremos um comércio participativo e não temos medidos esforços para criar meios que estimulem os comerciantes”.

 

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