Diretora nega que Saúde municipal não faz laqueaduras

‘Se tem queixa, eu não sei qual é, não chegou para mim, deve esta havendo divergência da pessoa com o médico”, disse.

 

 

A diretora da Divisão dos Serviços de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Rosa Maria de Carvalho, negou esta semana em entrevista concedida ao Planeta que a Rede Municipal não esteja realizando cirurgias de laqueaduras, conforme informações chegadas à redação do jornal. Ela garantiu à reportagem ter anotado no livro vários procedimentos autorizados. Porém, não soube dizer quantos nem a reportagem pode conferir o livro.

 

 

“(Os médicos) Não estão não (se negando a fazer laqueaduras)”, respondeu enfaticamente. “O que eu posso te dizer é que tem que ter autorização médica, é o médico que indica todos esses métodos contraceptivos”, prosseguiu. Leia, abaixo, a íntegra da entrevista.

 

 

Planeta News: Os médicos da Rede estariam se negando a fazer laqueaduras?

 

 

Rosa Maria: Não, não estão não! Por que eu fui conferir no livro e tem várias cirurgias autorizadas. O que eu posso te dizer é que tem que ter autorização médica, e o médico indica todos esses métodos contraceptivos que têm o mesmo nível de segurança, que são o anticoncepcional oral, com 98% de eficácia, o preservativo feminino, também com 98% de segurança, o anticoncepcional injetável e o DIU (Dispositivo Intra-Uterino) também. E o método contraceptivo cirúrgico é um dos que nós oferecemos.

 

 

Planeta: Se hoje uma paciente procurar, se ela der entrada ao pedido, em 60 dias ela faz? Não existe demora? Não tem uma fila?

 

 

Rosa Maria: Se tem queixa, eu não sei qual é a queixa por que não chegou pra mim, se tem alguma queixa deve esta havendo alguma divergência da opinião da pessoa com o médico, pode ser que esteja acontecendo isso, porque a gente opera se a gente quer e se o médico assumir. Se o médico quiser, também ele não é obrigado a nada. Eu posso te dizer que foram feitas, eu fui conferir no livro de anotações de todas as cirurgias que não são urgência, ou seja, casos de ortopedista, intestino, de útero, rim, de laqueadura. Todas estão no livro e tem várias laqueaduras autorizadas por vários médicos da rede, e nós sabemos das outras áreas que foram feitas, até por problema às vezes social.

 

 

Planeta: Então, a informação de que o município não estaria fazendo laqueaduras, não é verdadeira?

 

Rosa Maria: Não é verdade, sabe por quê? Nós seguimos uma norma que é um protocolo do município em Saúde, que tem uma legislação vigente e a gente a segue. Então, toda mulher tem o direito de se planejar e de escolher o método contraceptivo que ela quiser. E nós oferecemos o método contraceptivo oral que não falta nunca na Rede, dois tipos básicos de baixa dosagem hormonal e o normal, o que é ideal para as mulheres que estão amamentando.

 

 

Para tudo isso tem a norma técnica do planejamento familiar. Quando a mulher deixa de amamentar, ela é avaliada e o médico troca o anticoncepcional por outro para não correr o risco de engravidar. Temos o preservativo masculino que é distribuído indiscriminadamente em todas as unidades de Saúde. E tem também o preservativo feminino. Esse preservativo tem um pouco mais de controle por que é centralizado, por ser bem mais caro. A “pílula do dia seguinte” tem também em todas as unidades básicas.

 

Qualquer mulher que chegar com queixa de uma relação sexual não planejada ou uma relação sexual pessoal forçada ou um acidente com o preservativo, ela é avaliada pelo enfermeiro e pelo médico, e é oferecida a pílula. Tem também o método contraceptivo cirúrgico para o homem e para a mulher, para o homem vasectomia e para a mulher a laqueadura. Quando o casal manifesta vontade, tem que ter a indicação do médico e há todo um processo até chegar lá.

 

 

Tem que passar, além do médico, pela assistente social, pelo psicólogo da rede básica. Depois disso o médico responsável dá o parecer e uma comissão vai aprovar. Aprovando, se for cirurgia eletiva ela aqui pela central. Entre o pedido de todas as cirurgias tem um médico-auditor que autoriza e agenda. Aí volta para o médico de origem que agenda a data da cirurgia, seja laqueadura, seja a vasectomia. A mulher deve ter no mínimo 19 anos e dois filhos e manifestar o desejo, providenciar a documentação e passar por todo esse processo, com mínimo de 60 dias a partir do início do processo. Para as mulheres que têm parto normal, a indicação médica é para se fazer a laqueadura dois meses depois.

 

 

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