Demop citada como beneficiária do ‘caso das emendas’

Deputado diz que emendas parlamentares começaram em SP com Rodrigo Garcia

 

A Demop Participações Ltda., que desde o início da gestão do prefeito Geninho (DEM) vem atuando na cidade inclusive mediante um contrato polêmico de R$ 8,025 milhões, foi citada esta semana como principal beneficiária do “caso das emendas parlamentares”, denunciada pelo deputado estadual Roque Barbiere, o Roquinho, do PTB. Entre os deputados, foram citados no caso os “amigos da casa” Rodrigo Garcia e Bruno Covas, que exercem funções de secretários estaduais de Alckmin.

 

Garcia por ter implantado na Assembléia Legislativa, quando foi presidente, as tais emendas. E Covas por ter narrado, ao jornal “O Estado de São Paulo”, que já viveu uma situação em que o prefeito de uma cidade queria saber para quem destinava a comissão da verba que ele havia liberado para a uma obra. Foi este mesmo jornal que elucidou, na edição de segunda-feira passada, 3, a “ramificação” do caso que foi bater às portas da Demop.

 

A denúncia dá conta de que deputados estaduais liberam verba para municípios mediante comissão ou indicação de empreiteira de sua relação ou mesmo de sua propriedade. O caso citado em reportagem do jornalista Fernando Gallo, dá conta da destinação de uma verba de pelo menos R$ 1,2 milhão em emendas parlamentares para sete cidades do noroeste paulista onde Gilmaci Santos não teve nenhum voto em 2010, e outra na qual teve apenas dois votos.

As oito emendas objetivam a realização de “recapeamento asfáltico” e todas têm valor de R$ 150 mil, exatamente o limite legal máximo para que as prefeituras beneficiadas possam dispensar a licitação das obras.

 

MESMO GRUPO

Em todas as oito cidades (Aparecida D’Oeste, Ibirá, Itapura, Neves Paulista, Palestina, Paulo de Faria, Santópolis do Aguapeí e Uchoa) a empresa contratada para a realização do recapeamento asfáltico pertence ao mesmo grupo empresarial, o grupo Scamatti. As obras são feitas em sua maioria pela Demop Participações, mas também pela Métodos Administração de Obras.

 

As empresas têm sede em Votuporanga e atuam no recapeamento asfáltico de diversas cidades da região, como a própria Votuporanga, Jales, Icém, Araçatuba e Olímpia, conta a reportagem.

A Demop é alvo de um inquérito aberto pela Procuradoria Geral de Justiça em setembro do ano passado para apurar possível enriquecimento ilícito e improbidade administrativa em um contrato firmado entre a empresa e a prefeitura de Olímpia. O contrato, de R$ 8,025 milhões, destinava-se à realização de recapeamento asfáltico na cidade. A representação que originou o caso foi feita pelos vereadores João Magalhães (PMDB) e Priscila Foresti, a Guegué (PRB).

 

PARA LEMBRAR
Em novembro de 2010, Olímpia recebia a informação de que a Demop havia firmado com a prefeitura, contrato de mais de R$ 8,025 milhão, e até abril deste ano, nada havia sido feito pela empresa por conta daquele contrato. E a empresa ainda teve outro contrato, anterior àquele, de quase R$ 1 milhão, para as obras da canalização pluvial da Floriano Peixoto. E ainda houve outros, três totalizando R$ 1.594.806,74, e um quarto sem valor declarado.

 

Tudo para “execução de serviços comuns de recuperação, reperfilamento, recapeamento asfáltico, manutenção asfáltica, tapa-buracos e sinalização horizontal em solo, em diversas vias públicas do Município, com fornecimento de material, mão-de-obra, máquinas e equipamentos.”

E mais recentemente, em 25 de março passado, dois novos contratos foram assinados com a Demop, totalizando R$ 734.829,89, ambos para “prestação de serviços de mão-de-obra, materiais e equipamentos para recapeamento asfáltico e sinalização viária em diversas vias do município”, por meio do pregão presencial 33.

Um contrato tem o valor de R$ 154.057,94 e o outro, de R$ 580.771,95.

 

A Demop é “irmã” da Multi Ambiental, também de Votuporanga, que coleta o lixo da cidade por mais de R$ 2,5 milhões, e ambas são empresas do grupo familiar Scamatt.

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