Cunha culpa funcionalismo pelo fraco desempenho administrativo

Prefeito disse que não dará mais que os 3,75% oferecidos à categoria –‘Só se me obrigarem’ – e que quem não estiver satisfeito, ‘que peça demissão’; ele acusa os municipais de boicotes

Prefeito Fernando Cunha

O prefeito Fernando Augusto Cunha (PR) manifestou-se, mais uma vez, de forma agressiva e desrespeitosa com relação ao funcionalismo público municipal, acusando-o até mesmo de boicotar seu governo. Dentro deste espectro reafirmou que não dará à categoria mais que os 3,75% oferecidos, porque seria “jogar dinheiro fora”. “Só se me obrigarem”, enfatizou.

Sobre a discordância dos funcionários em assembleia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Olímpia, quanto ao percentual, deu a entender que não respeitará. “Vou mandar o projeto de Lei para a Câmara, ela aprovando, pronto, é o que eu vou pagar”, disse. Cunha alegou que valoriza o funcionalismo “pagando aquilo que o mercado de trabalho de Olímpia paga”.

O assunto funcionalismo público já começara antes, quando falou sobre a Daemo Ambiental, onde diante da insatisfação de funcionários, orientou que eles peçam demissão, ‘que tem fila para trabalhar lá”. Embora reconhecendo que sem o funcionário público um governo nada faz, Cunha emenda acusando parte da categoria de boicotar seu governo. Como por exemplo no furto de uma peça importante no sistema de captação e armazenamento de água no Santa Fé.

Para o prefeito, não teria sido um furto comum. “O funcionário a gente reconhece que, sem ele, a gente não faz nada. E fico triste quando ouço dizer que no Santa Fé houve boicote. E não foi de funcionário comum. Foi gente que a gente já demitiu, e até comissionado, que a gente já mandou embora”, relatou. Para ele, existem na administração “as chamadas panelinhas”, o que o deixaria “indignado”. Seria até em função disso mesmo, ele dá a entender, que não atende ao clamor por melhorias salariais. “Apoio o funcionário dentro daquilo que é possível, e que o mercado de Olímpia paga”, diz.

‘SE NÃO TIVER 30 CARGOS ESTOU MORTO’
O prefeito disse também que cortou em 30% os cargos comissionados recebidos, mas que tem que manter outro quadro ainda grande, de sua lavra, porque tem que atender aos convênios com o Estado, visando ceder mão-de-obra para órgãos como Procon, Detran, Banco do Povo, etc.

“Um terço é compromisso com convênios do Estado, um terço são cargos necessários, como de secretários, diretores, etc., e outro terço são cargos que se o prefeito não tiver gente de confiança, é um caos. Nós temos 1.300 funcionários, se eu não tiver 30 para estar comigo, estou morto”, relatou, para em seguida insinuar suspeição sobre os funcionários “herdados”. “Tenho que ter um mínimo (de cargos) de confiança, que são cargos de assessoria para preencher vagas que são mais ‘perigosas’, ‘mais delicadas’”, disse, naturalmente tratando de cargos que lidam com finanças.

Para o prefeito, a folha de pagamento poderia ter sido diminuída, porque na prefeitura, “temos funcionários demais”, segundo ele. Para Cunha, o número de comissionados contratados por ele, “é porcaria perto do que é a folha de pagamento, de R$ 90 milhões por ano”. Para ele, “o grande problema” seriam “os contratados pelo Geninho”, e não os contratados por ele. “Aí o pessoal quer ganhar mais, mas são R$ 90 milhões (a folha por ano), se economizasse 10%, são R$ 9 milhões que economizaria e não precisava pedir na CAIXA. Do jeito que está não sobra nada para investir”, disse.

De acordo com a matemática do prefeito, a folha de pagamento da prefeitura cresce 3% ao ano independentemente do aumento a ser dado, “porque tem o salário e tem os benefícios”. “Estamos propondo dar 3,75% que é a inflação, só que na prática serão 6.75%, que são a licença-prêmio, a sexta-parte, etc.”, justificou.

REAJUSTE: ‘MANDO PARA A CÂMARA, ELA APROVANDO, PRONTO’
Depois, partiu para o ataque: “Daqui a pouco os vereadores virão com graça para dar 10% de aumento, ou seja, R$ 9 milhões a mais no ano. Não vou dar, só se me obrigarem. É jogar dinheiro fora”, enfatizou o prefeito, esmurrando a mesa. “Os vereadores agem com desconhecimento de causa. Para melhorar (os salários) tem que cortar a folha de pagamento”, completou.

Sobre o Sindicato não aceitar a proposta, conforme resultado da assembleia da categoria, Cunha fez pouco caso. “Mandamos para a Câmara, a Câmara aprovando, pronto”, afirmou. Para o prefeito, a data-base da categoria, definida em estatuto há mais de 20 anos atrás, é uma “bobagem”, ser em janeiro, e uma “besteira” ser no dia primeiro de janeiro. “Teria que ser primeiro de março ou primeiro de abril”, sugeriu.

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