Critérios rígidos para 2020 dificultarão eleição para a Câmara

Se nada mudar até lá, pelas regras a viger ano que vem, a Câmara de Vereadores da Estância Turística de Olímpia poderá ser renovada em até 100% dos seus nomes

A eleição para vereador em 2020 será diferente, não terá coligações entre os partidos, e essa mudança exige que a sigla partidária venha com chapa completa, com o maior número de vereador possível. Ou pelo menos com o número de candidatos autorizados, 150% do total de cadeiras da Casa de Leis, que em Olímpia seriam 15 nomes por sigla, ou 16 caso a Câmara de Vereadores ganhe mais uma cadeira a partir de 2021, o que provavelmente ocorrerá.

Até então, partidos podiam concorrer em bloco nessas disputas, contabilizando os votos como se fossem uma única legenda. Dessa forma, os votos depositados em uma sigla podiam ajudar a eleger candidatos de outra.

A prática foi adotada por muitos partidos pequenos, que tentam pegar carona em candidatos populares de outras siglas. Em troca, cedem tempo de propaganda para candidatos da sigla parceira que concorrem a cargos majoritários. Muitas vezes, as coligações são desfeitas logo após a eleição.

Portanto, quem quiser ser candidato a vereador em Olímpia, tem que saber que vai precisar no mínimo de três mil votos para entrar na briga por uma vaga na Câmara. Nas eleições de 2016 a cidade tinha 39.642 votantes aptos. Destes, 28.692 votos foram validados.

Em 2018, a cidade já possuía 41.115 eleitores, ou seja, 1.473 cidadãos a mais. Trabalhando com esta margem de crescimento para 2020, o contingente eleitoral pode ficar na casa dos 42,5 mil eleitores. Nesta mesma proporção, supõe-se que pouco mais de 30,16 mil votos sejam validados.

O quociente eleitoral ficaria pouca coisa acima dos três mil votos. Assim, um candidato a vereador ou à reeleição para a Câmara só será eleito a cada três mil votos que o partido receber. O número poderá ser maior, nunca menor. Além disso, se houver redistribuição, só entrará quem tenha tido, no mínimo, 10% do coeficiente eleitoral, no caso, pelo menos 350 a 400 votos.

Assim, fica claro que os atuais dez edis estão em situação delicada. O que vai determinar sua volta ou não será o partido a que estejam filiados ou vierem a se filiar, e a qualidade do quadro de candidaturas, a potencialidade de cada um na atração de votos.

Nas eleições de 2016, por exemplo, a gigantesca coligação do entorno do prefeito Fernando Cunha (eleito pelo PR e hoje sem partido) trazia nada menos que PR-PMDB (hoje MDB)-PP-PRP de um lado, abocanhando 7.467 votos e fazendo dois vereadores (Zé das Pedras e Cristina Reale [PR]) e um no chamado “puxa” (Salata [PP]).

De outro lado, esta mesma coligação trazia PSB-PTdoB-PMB e PSDB, abocanhando outros 6.365 votos, fazendo dois vereadores (Niquinha [PTdoB] e Gustavo Pimenta [PSDB]). DEM e PDT fizeram uma terceira coligação, abocanharam 5.439 votos e elegeram um vereador (Luis do Ovo [DEM]) e outro no “puxa” (Flavinho Olmos [DEM]).

Já outra coligação gigante entre PSD-PV-PT-PSL-PHS-PEN e PCdoB obteve 5.103 votos, fez um vereador (Fernandinho [PSD]) e mais um no “puxa” (Helio Lisse [PSD]). E finalmente PTB-PRB-PROS e PPS, conseguiram 3.943 votos e elegeram apenas um vereador (Selim Murad [PTB]). O coeficiente eleitoral naquele pleito foi de 2.830 votos para cada cadeira.

Agora imaginem que cada um destes partidos, se tiverem constituído seus diretórios municipais, terá que ter uma chapa própria, com até 15 candidatos à vereança. Só a título de curiosidade, a soma total de votos obtidos individualmente pelos atuais vereadores, fica na casa dos 9.345, ou seja, se todos os 10 estivessem juntos em uma mesma sigla, se elegeriam, no máximo, três para ocuparem cadeiras na Casa de Leis.

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