Criação de cargos gera polêmica na Câmara

Cargo “embutido” em projeto revoltou Zé das Pedras, já que não era isso que havia sido ‘combinado’

 

O vereador José Elias Morais, o Zé das Pedras (PMDB), explicitou na segunda-feira passada, 7, durante sessão ordinária da Câmara de Vereadores, ter havido uma “combinação” para a votação do projeto de Lei Complementar 142/12, de autoria do presidente da Casa, vereador Toto Ferezin (PMDB), que dispõe sobre criação de cargos públicos de provimento efetivo e em comissão no Poder Legislativo. E foi o cargo em provimento efetivo, de Chefe Geral da Secretaria da Câmara, o “estopim” da discórdia.

 

Na verdade quem acabou provocando a ira do vereador peemedebista foi o líder do prefeito, vereador Salata (PP), quando pediu que fosse feita votação em bloco de quatro projetos pautados em regime de urgência, sendo um sobre doação do prédio da Daemo Ambiental, no centro, para a Ceagesp, outro autorizando a alienação de 21 terrenos no loteamento “Quinta das Aroeiras”, e o terceiro autorizando abertura de crédito especial. Assim, explicitando, também, uma votação “entrelaçada”.

 

“Não foi esse o combinado”, disse pelo microfone de sua mesa, Das Pedras. “Se vocês forem fazer esta ‘brincadeirinha’ de aprovar em bloco eu vou votar contra todos os projetos”, ameaçou o vereador, em altos brados. A vereadora Priscila Foresti, a Guegué (PRB) entrou na discussão para cobrar do presidente a omissão em relação à bancada oposicionista, que não tinha sido consultada sobre a criação destes cargos.

 

“O exemplo deve vir de casa. Se cobramos aqui o Executivo sobre a falta de diálogo, temos que dar o exemplo contrário”, protestou. “Esta vereadora não foi consultada sobre uma questão que afeta todos nós, vereadores.

 

Nem foi informada sobre a real necessidade da criação destes cargos”, complementou. E pela primeira vez o líder do prefeito concordou com ela. “A Guegué me pareceu muito coerente ao reclamar que não foi consultada. E estes cargos pouco vão acrescentar nas atividades desta Casa”, disse.

 

REELEIÇÃO GARANTIDA’

Acuado e temeroso de que o projeto pudesse ser rejeitado, o presidente Ferezin pediu que ele fosse aprovado em primeiro turno e durante a semana fosse discutida a possibilidade de mudanças. Disse até que “se for o caso, eu retiro e arquivo o projeto”. A sessão foi paralisada por cinco minutos (das 20h24 às 20h29), para que os vereadores discutissem o assunto na sala reservada.

 

Na saída, Salata vinha provocando Ferezin: “Espero que você se reeleja com estes cargos”. Abordado pela reportagem do Planeta, ele completou: “Ele vai ver o que é bom para a tosse”, sem dar detalhes. Após a aprovação do projeto, ironizou, de sua mesa: “Já garantiu a reeleição, hein, presidente?”.

 

Mas, o projeto só tramitou e foi aprovado em primeiro turno com o compromisso do presidente de retirar dele o cargo efetivo de Chefe Geral da Secretaria da Câmara, com vencimentos de R$ 3.111,31, com exigência de curso superior. Zé Elias conseguiu que fosse elaborada uma emenda retirando o cargo ainda durante a sessão.

 

Portanto, o PLC 142 contemplará apenas o cargo de Assessor de Gabinete do Presidente, com duas vagas em comissão, vencimentos de R$ 1.985,90, e exigência de ensino médio completo. Conforme o “combinado”.

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