CDA de Barretos detecta primeiro foco de mormo em Guaraci

Doença atinge cavalos, que precisam ser sacrificados e incinerados, e é uma zoonose, ou seja, alcança também o homem

A Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Escritório de Defesa Agropecuária de Barretos detectou em meados de fevereiro passado, um foco de morno ou lamparão, doença infectocontagiosa dos equídeos, causada pelo Burkholderia mallei, que pode ser transmitida ao homem e também a outros animais. Dois cavalos já foram sacrificados na propriedade, cujo nome não foi revelado, em Guaraci. O nome do proprietário também não foi revelado.

Dos 18 municípios de abrangência do CDA, por enquanto somente Guaraci apresenta a doença, mas os criadores da região, principalmente Olímpia, onde há uma população equina considerável, estão em estado de alerta total. É o primeiro foco na nossa microrregião, mas no Estado de São Paulo outros seis municípios – São Paulo, Araçariguama, Bauru, Queiroz, Jaguariúna e Jundiaí têm casos da doença.

Renata Monteiro, médica-veterinária, assistente agropecuária da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da EDA de Barretos, não soube precisar quantos casos no total o Estado possui atualmente.

E nem em Guaraci isso é possível, pois dependem de resultados de exames feitos a cada 30 dias. Já foram feitos dois, que apresentaram resultados positivos para a doença, cujos animais foram sacrificados e incinerados. Um terceiro exame está em fase de resultado. A situação só é considerada sob controle e sem a doença quando se obtém dois exames negativos consecutivos.

De acordo com Renata Monteiro, a propriedade onde foi detectado o foco foi interditada. A coleta feita por meio de sorologia nos animais é encaminhada para o laboratório oficial do Ministério da Agricultura, em São Paulo.

“O foco de Guaraci foi diagnosticado em meados de fevereiro. Trata-se de uma doença de notificação obrigatória. Quando surge a suspeita, o proprietário encaminha para a Divisão e fazemos a detecção ou não. Em caso positivo, a propriedade é interditada e fazemos os exames a cada 30 dias. Dois resultados negativos consecutivos significa que a doença ali está erradicada”, relata a médica-veterinária.

Os animais não “denunciam” a doença previamente, de acordo com Renata. “Existem três fases para a doença no animal: a aguda, a crônica e a latente. Os sintomas visíveis, como a secreção nasal, podem ser confundidos com uma gripe, o inchaço pode ser um abcesso de pele, e assim por diante. O animal tem que estar muito debilitado para se saber que está com a doença”, explica a médica.

Renata disse que o órgão não pode divulgar o nome da propriedade afetada, nem de seu proprietário. Mas ela disse que ali não há muitos animais, nem o dono é grande proprietário. “É uma quantidade pequena, felizmente”. A médica disse ainda que nada é feito em termos de prevenção nas propriedades vizinhas ou mesmo nas cidades vizinhas daquela onde há foco da doença. “Nós não fazemos nenhuma ação neste sentido. Ficamos no aguardo de notificações”, explica.

Notificações estas que vêm por meio de atestado obrigatório no momento da transação do animal – no exame de sangue, por exemplo. “É por aí que controlamos a situação”, diz. A doença não possui vacina que combata nem é tratável. O animal tem que ser sacrificado, depois incinerado e o local desinfetado.

Quando é detectado um foco, a Secretaria Municipal de Saúde do município é comunicada, pois o órgão passa a ter também uma parcela de responsabilidade, na orientação às pessoas e nos cuidados com a saúde do ser humano.

No que diz respeito aos humanos que tenham tido contato com animal infectado, Renata diz que nada é feito especificamente – nem exames, nem prescrição de medicamentos, pelo menos por parte da Vigilância Sanitária Animal. “Aí fica a critério do Sistema de Saúde do município”, finaliza.

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