Câmara debate e cobra ações mais efetivas no setor da Saúde

Durante os pronunciamentos da Tribuna o vereador Gustavo Pimenta chegou a acusar o grupo que administra a Pasta, de estar ‘fazendo caixa para campanha’

Vereador Gustavo Pimenta

A Câmara de Vereadores da Estância Turística de Olímpia debruçou-se sobre a questão da Saúde municipal na sessão ordinária de segunda-feira passada, 6 de maio. Mas nenhum vereador elogiou o sistema. Ao contrário, as críticas foram muitas, algumas sugestões de mudanças e até acusação contra o grupo político que assumiu o gerenciamento do setor, de estar, com isso, “fazendo caixa de campanha”.

Flávio Augusto Olmos (DEM), por exemplo, começou relatando que esteve na Unidade de Pronto Atendimento-UPA recentemente, e que tudo lá “estava um caos”. E quis saber de quem é a responsabilidade por isso. “Depois que passou a UPA para a Santa Casa, virou cabide de emprego. Quem é o culpado, é o Fábio Martinez, que é o vice (prefeito), está lá dentro e não fala nada?”, perguntou.

“Temos que analisar que quem tem o poder na mão é o prefeito, se colocou e não está funcionando, retira”, emendou. “Infelizmente, há muitos chefes no posto de Saúde”, disse em seguida, ironizando: “Há chefe do chefe do chefe. E quem é o culpado? Na minha opinião, é o prefeito”, concluiu.

O vereador Hélio Lisse Júnior (PSD), focou suas críticas nos casos de dengue. “Onde houve a falha? Falei aqui desde janeiro que precisava contratar mais agentes de combate (a endemias). Não contrataram até agora. Os índices (da doença) seriam menores. Fui ao prefeito, disse que já está autorizado, mas a secretária de Administração não conseguiu contratar, quando poderia ter lançado mão da (situação de) emergência. Não dá para entender”, criticou.

O vereador Luiz Antonio Moreira Salata (PP), recém recuperado da dengue (Luiz Antonio Ferreira, o Luis do Ovo [DEM] também estava com dengue na segunda-feira) disse que foi “sorteado” para ser portador “desta enfermidade traiçoeira que é a dengue”. O vereador entende que “cada pessoa tem um comportamento frente ao vírus. Ele ataca vários órgãos do corpo, até a visão. Estou preocupado, pedi ao prefeito a contratação de profissionais para atender ao imenso número de pessoas infectadas. O mosquito ataca com intensidade violenta no ano seguinte ao que não tem um frio intenso ou geada. Precisa de um projeto preventivo à dengue”, cobrou.

Para o vereador Marco Antonio Parolim de Carvalho, o Marcão Coca (PPS), é preciso dar estrutura às Unidades Básicas de Saúde, para que a UPA possa ser desafogada nestes tempos de epidemia da doença. “Se tivéssemos umas duas (UBS’s) estruturadas, melhoraria o atendimento. Hoje 80% do atendimento na UPA é a dengue. Precisa acabar com o fato de as pessoas não terem outro lugar para irem, se não à UPA”, pediu.

TERCEIRO ANDAR DA SANTA CASA
João Magalhães (MDB), líder do prefeito, depois de também fazer considerações sobre a dengue, inclusive cobrando os moradores do centro da cidade que deixam suas casas fechadas e não possibilitam a pulverização e vistorias, atacou em outra fragilidade local quando o tema é saúde. A Santa Casa. Indo bem fundo, decretou: “Olímpia precisa pensar em outro hospital”.

Segundo o pensamento do vereador, “Olímpia não pode ficar a mercê de um único hospital. Há 60 anos, tínhamos três. Hoje só temos um. Transformaram a UPA em um hospital, que não é. Precisamos trabalhar a ideia de um novo hospital em Olímpia. A Unimed não pode continuar usando o pronto socorro, ali precisa de um (PS) para a população de Olímpia”, criticou.

Esta observação de Magalhães fez Olmos trazer à tona um assunto considerado tabu na administração municipal: o terceiro andar da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia. Lá, segundo o Planeta apurou anteriormente, estaria tudo em perfeitas condições para acomodarem pacientes de forma confortável, uma vez que a ala, com 22 leitos, foi inteiramente reformada.

“Tem o terceiro andar da Santa Casa que está lá sem funcionar. Com 22 leitos, setor totalmente reformado, limpo, mas está desativado. Aumentou a subvenção, reduziu gastos, então poderia colocar o terceiro andar em funcionamento”, pediu o vereador demista.

CAIXA ELEITORAL ‘PETISTA’
Já Gustavo Pimenta (PSDB), encerrando o “painel de críticas à Saúde”, voltou sua metralhadora para o grupo que assumiu os destinos da Pasta da Saúde há pouco mais de um ano. “O grupo travestido ‘petista’, está lá (no governo) para (fazer) caixa de campanha, ele está todo na Saúde. Então, o prefeito tem que bater escanteio e cabecear. E ele já foi alertado quanto a isso. Lá tem chefe do chefe, chefe do chefe do chefe e caixa para a campanha. A Saúde está às traças, porque sabemos de onde vem esta cultura”, disse, referindo-se ao partido ao qual o grupo é próximo, o PT.

Hilário Juliano Ruiz de Oliveira deixou o PT e se filiou ao PSD, mas concorreu às eleições de prefeito coligado ao PT, que o ajudou a fazer dois vereadores, Lisse e Fernando Roberto da Silva, ambos do PSD. O secretário de Saúde, por sua vez, é petista, ex-assessor parlamentar da deputada estadual Beth Sahão.

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