‘Tarifa vai aumentar, e muito’, diz diretor da Daemo

Sem muitos rodeios, indo direto ao ponto, o diretor-superintendente da Daemo Ambiental, Antonio Jorge Mota, revelou ao Planeta News esta semana que até 1º de maio a tarifa de água em Olímpia estará mais cara. “A tarifa vai subir, e muito”, disse ele. “Não sabemos ainda quanto”, complementou, evitando especular um índice. Mas este aumento terá decreto publicado até o dia 20 de abril, para vigorar a partir de 1º de maio.

O último aumento, ano passado, ficou em torno de 5.64%. “Nosso Financeiro está levantando custos com energia, combustível e do quadro de funcionários, para compor o índice de aumento”, informa Mota.

O sistema de cobrança da tarifa de água da Daemo Ambiental, de acordo com o diretor, prevê maior tributação sobre quem mais consome água. Mas são os consumidores menores que mantêm a Daemo Ambiental, segundo ele. Uma coisa é certa: os índices de reajuste desta vez ficarão bem acima da inflação. “Temos que repor o custo de produção”, observa o diretor.

Além do que, a Daemo está elaborando um projeto para implantar um “gatilho” para que a tarifa de água suba sempre que subir a tarifa de luz, forte componente dos custos da Superintendência.

Pelo menos por enquanto, os reservatórios da Daemo Ambiental estão normais, informa o diretor. Mas, ele apela à consciência da população no sentido de economizar água. Mota se diz preocupado com as poucas chuvas deste ano, comparando os três últimos anos. Em janeiro de 2013, choveu em Olímpia 193mm; em janeiro de 2014, 34mm; e agora em 2015, foram 63,8mm, duas vezes mais que no mesmo mês do ano passado, porém três vezes menos que em 2013.

PERDAS NA REDE
Quanto ao fato de o Ministério das Cidades, por meio do “Diagnóstico Sobre Serviços de Água e Esgoto” ter apontado que em 2013 Olímpia teve perda de 28,78% de sua água tratada, Mota disse estranhar, já que os dados não teriam partido da Daemo. Uma informação anterior sua dava como perda na rede de distribuição 43% do que é produzido. O diretor não soube explicar esse choque de índices.

Disse que só em março será possível conferir qual dos dois está certo, quando será fechado o índice de perdas. Para reduzir o índice, disse estar substituindo aos poucos as redes deterioradas, como fez recentemente na região da Santa Casa e parte do Jardim São José. No total foram 1,7 mil metros de rede trocados. Ele acredita que ainda deve estar em 43% as perdas.

Mas, serão os macromedidores nos reservatórios que irão apontar essa perda. Este equipamento permite saber a quantidade de água que se perde em cada região da cidade. Esta medição não é feita há dois anos. O problema da rede estragada é que ela se torna um “looping” diz Mota.

“Você conserta um trecho e o outro lá atrás quebra. Você termina a frente e tem que voltar para consertar, e lá na frente surge outro trecho danificado. Então, tem-se que ficar dando volta em torno do mesmo problema”, exemplifica.

PARCERIA
A meta principal do diretor, diz, “é firmar uma parceria com a população”, para o consumo consciente da água. “Não tenho vontade de multar, mas vai acabar sendo necessário, se não houver mudança de comportamento do consumidor. Aí, ou penaliza, ou não terá solução”.

Ele acredita que nestas circunstâncias a multa funciona. Mas, não há previsão para sua implantação, embora exista projeto para tramitar na Câmara de Vereadores. A multa atual, diz, é de 10% do valor da última conta. “Valor tão irrisório que é melhor nem aplicar”.

“Não queremos por multas, mas já, já não teremos água. Não há mágica. Se o lençol freático baixa e os mananciais sofrem abalo, ficamos sem água”, diz. Mota já pensa em perfurar um poço profundo na própria Estação de Tratamento, para evitar surpresas. O poço, com mil a dois mil metros de profundidade, teria produção de 250 mil m3 por hora. Mas, está orçado em R$ 3 milhões, fora o resfriador, já que a água sairá a até 43 graus. “Estamos atrás de verba. Este é um sonho meu desde 2013”, revela Mota.

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