‘Se não morrer na UPA, morre na Santa Casa’, diz prefeito sobre Saúde

Cunha falou sobre possibilidade do único hospital de Olímpia quebrar: ‘A prefeitura assume e vira um hospital municipal. A prefeitura tem caixa para isso’

Nestes primeiros dois anos de Governo Cunha (PR), a Saúde ainda não deu sinais de vida. Passou a respirar melhor, é fato, mas a situação ainda é crítica e exige maiores cuidados. Seja com a Unidade de Pronto Atendimento-UPA 24 Horas ou com a Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, as dores de cabeça do Executivo Municipal são muitas.  E os episódios de morte ocorridos dias atrás aprofundaram a crise no setor.

Mas o governo e seu secretário da Pasta, Marcos Pagliuco, vivem a apregoar que equipamentos, investimentos, e melhora na infraestrutura são grandes passos. Porém, a máquina esbarra no empecilho financeiro e no gerenciamento de sua estrutura, passando pela questão de pessoal, “que temos que melhorar”, segundo Cunha.

Mas, há espaço para bravatas cunhistas: caso o único hospital de Olímpia se torne inviável por causa da enorme dívida que tem (recentemente teve uma Santa Casa que foi a leilão no Estado), o prefeito não terá dúvidas: “Se acontecer isso, a prefeitura assume e vira um hospital municipal. É um inferno, mas a prefeitura de Olímpia tem caixa para isso”, disse, reiterando que o hospital “não fecha, a prefeitura assume e acabou. (a cidade) Não vai ficar sem hospital”, garantiu.

A Santa Casa teve um déficit ano passado que superou os R$ 460 mil. E a dívida acumulada passa da casa dos R$ 8 milhões. Recentemente o prefeito teve entreveros com médicos do hospital, que chegaram a ameaçar fazer greve, por causa de reajuste salarial. Ele diz, uma vez atendido o preito dos profissionais, que se houver greve “vou intervir, municipalizo, vou por o médico que eu quiser, a hora que eu quiser, o dia que eu quiser”.

Embora não tenha dito e nem tenha sido perguntado por que já não fez isso, Cunha dá mostras de que não seria impossível Olímpia ter um hospital municipalizado. “Não temos dívidas. Podemos endividar (o município) até R$ 200 milhões. Essa dívida (da Santa Casa) é nada”, esnoba. Porém, o problema seria o gerenciamento, deixa antever o prefeito. “Da UPA já apanhamos, imagina a Santa Casa”, expõe.

A crítica que o prefeito faz, é a constante reclamação do cidadão. “A Santa Casa não tem porta aberta para a população. Entra-se pela Unimed ou pela UPA”, ou seja, não há atendimento direto em urgência e emergência, só internações, que ainda assim são bastante difíceis. “Tem muito óbito na UPA, mas teria que ter (óbito) na Santa Casa e não lá”, diz.

Com o pronto socorro ao lado da Santa Casa, “há mais chances de não morrer”.  Cunha compara os R$ 850 mil por mês gastos com a UPA, e o custo de R$ 1 milhão por mês da Santa Casa, e conclui que, com a municipalização, “é provável que até economize, que se gaste R$ 1,7 milhão”. Ele disse que uma nova UPA é possível, “seria a porta de entrada do hospital” e pode sim ser construída em terreno da prefeitura, que seria comprado da Santa Casa, com prédio construído pela prefeitura e operado pela prefeitura. E a Santa Casa fornecendo a mão-de-obra. Assim, não perderia os repasses do SUS. O prefeito calcula que gastaria R$ 5 milhões para fazer o prédio e as instalações.

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