‘Minha Casa‘ tem 69 imóveis com 16 pessoas

São casas que constavam pertencer à ex-proprietária do terreno, mas já foram transferidas

 

O conjunto habitacional “Village Morada Verde”, implantado em Olímpia dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, tem 69 imóveis extras em nome de apenas 16 pessoas. Os lotes que abrigariam estas casas estão registrados em documentos oficiais como lotes comerciais e com esta classificação foram transferidos pelos ex-proprietários à construtora responsável pela obra, a Pacaembu Empreendimentos.

 

Assim, o conjunto conta na realidade com 855 casas.

Estas casas estão espalhadas por seis, das 25 quadras existentes no conjunto, que têm de 15 a até 48 imóveis cada. Numa lista de compradores que circulou na cidade nos últimos dias, estas casas estavam no nome da ex-proprietária da área, Idalina Delefrante de Carvalho, mas que segundo seu filho, está defasada, porque todos os lotes já foram transferidos para seus donos atuais. Luiz César de Carvalho disse que há mais de um mês passou as escrituras em cartório para a construtora Pacaembu, e a partir daí não tem idéia do que fizeram lá.

 

Com a sua autorização a reportagem do Planeta foi até o Cartório de Registro de Imóveis e lá solicitou os nomes dos atuais proprietários, mas da relação constam apenas 16, ou seja, teoricamente cada um deles seria dono de 4.3 casas. Mas, há suspeitas de que na relação haja quem detenha número maior em seus nomes.

Inclusive, um destes nomes é o da Atlanta, Construções, Comercial e Empreendimentos Ltda., com sede em São José do Rio Preto, coincidentemente é a empresa que foi inicialmente anunciada como a que seria responsável pelas obras do “Minha Casa, Minha Vida”, mas por fim acabou sendo a Pacaembu e não se explicou porquê.

 

Pelo projeto original, naquela área deveriam constar 786 moradias, conforme número oficial constante de documento encaminhado à Câmara de Vereadores.

 

Além da Atlanta, constam como donos destas 69 moradias extras, Ana Cláudia de Souza, Renato Trindade Lopes, Ana Patrícia Silva Sá, Edson Carraro, Anderson Luiz Barbarelli da Silva, Emerson Rodrigo Costa, Francisco José Rodrigues de Almeida, Cheirla Civedares Genarcki Brandt, Francisco José das Neves, Renato Montoan Sabadin, Fábio Garcia Sartori, Geraldo Antonio Pimenta, Paulo Afonso Baraldi de Oliveira, José Teodoro da Silva Júnior e Maristela Sanches Garcia Sartori.

 

NEGATIVA
Esta informação vem confrontar as assertivas da Assessoria de Imprensa e Marketing da Superintendência da Caixa Econômica Federal-CEF, em São José do Rio Preto, que negou qualquer possibilidade de uma só pessoa possuir no empreendimento mais de um imóvel. Márcia Ishi Viana de Castro, responsável pelo setor, disse que essa situação “é inviável” dentro deste formato do programa. Mesmo porque, segundo ela, “todos os imóveis já estão registrados em cartório, e cada um em nome de uma pessoa”.

 

A assessora ainda garantiu que cada uma das 786 moradias vai contemplar uma família, ou seja, estariam lá exatas 786 famílias. Ela enfatizou ainda que “não há a menor possibilidade de isso estar acontecendo (ter 69 casas em nome de uma só pessoa)”. Não se sabe o que ela diria agora, ao saber das 69 em nome de 16 pessoas. A redação encaminhou e-mail para a Superintendência, em Rio Preto, bem como para a Pacaembu, mas até o fechamento desta edição não havia recebido resposta.

 

Na lista em questão, as casas estão distribuídas pela quadra 2, com 33 casas. Depois, teria outras duas casas na quadra 3. E mais oito casas na quadra 6. Na quadra seguinte, a 7, há outros 4 imóveis que estariam nestes nomes, que vão se somar a mais 3 na quadra oito, além de outros 12 na quadra 16.

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