“O Mão Santa”

Dr. Nilton Roberto Martines

Por: Silvio Roberto Bibi Mathias Netto


Dr. Nilton Roberto Martines chegou a Olímpia nos primeiros anos de 1970 acompanhado da esposa Marina.
Seu primeiro endereço, em casa alugada foi ali na Rua Coronel Francisco Nogueira, a poucos metros da Praça Rui Barbosa.
Recém-chegado, mostrou-se inquieto e destemido, disposto a ir muito além do exercício da medicina.
Certo dia ele ligou para pessoas da cidade que poderiam caminhar com ele na jornada quase impossível de conseguir a Agência da Previdência Social. Foi um embate de gigantes. Reuníamos na casa e discutíamos os planos seguintes, saboreando deliciosos canapés feitos pela Marina, regados a moderado consumo de cervejinha. A Agência Olímpia do INSS nasceu daí e foi uma memorável conquista.
Ficamos amigos. O quadro clínico da Santa Casa era fechado a sete chaves. Mas o Nilton, a quem a Marina chamava de “Tabatinga”, apelido que o associava à sua cidade, foi causando espanto e perplexidade com os intrincados casos que resolvia, graças à habilidade que Deus lhe deu, realizando proezas só conhecidas entre os grandes cirurgiões.
Nossa amizade mudou-se para o novo endereço, no Jardim Gloria, para onde íamos, a convite dele, em incontáveis fins de tarde que entravam pela noite, sempre à borda da piscina em longos papos regados a cervejinha ou whisky e os petiscos servidos à vontade e muita conversa boa.
No curso dessa amizade, Nilton fazia questão de exibir suas façanhas, que se conta aos milhares. Uma delas me impressionou mais e até foi alvo de exibição em Congresso Médico: a cirurgia retirou da bexiga do paciente uma pedra do tamanho de um ovo de ganso.
Ficamos afastados esses anos todos, mas a amizade e o respeito permaneceram para sempre. Com o passar dos anos Nilton não tinha tempo para mais nada, pois estava á serviço da vida.
Uma grande perda para Fabiana, Andreia, Fábio e Mariana. Uma perda irreparável para a Marina porque o “Tabatinga” foi embora. Foi um choque para os amigos, pois julgávamos Nilton um imortal.
Foi uma enorme perda para todos, porque o “Mão Santa” foi pro céu.

 

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