Vereadores ‘batem’ em advogado de Cunha por texto de Veto

Prefeito vetou projeto de Flavinho Olmos (DEM) que tratava da proibição de corte de água em fins de semana, mas o que irritou vereadores foi o texto enviado, considerado desrespeitoso

Vereador Flávio Olmos

O vereador Flávio Augusto Olmos, do DEM, havia apresentado um projeto de Lei (5.203), deliberado na sessão ordinária do dia 2 de maio, e depois aprovado por unanimidade na Câmara, proibindo à Daemo Ambiental o corte do fornecimento de água dos consumidores inadimplentes, nos finais de semana, a partir do final da tarde das sextas-feiras, e em vésperas de feriados. Encaminhada ao Executivo, a propositura foi vetada pelo prefeito Cunha (PR).

Porém, nem tanto o veto em si, mas o que mais irritou vereadores foi o conteúdo do documento remetido à Câmara pela Assessoria Jurídica do Executivo, considerado, no mínimo, “desrespeitoso”. Os vereadores Antonio Delomodarme, o Niquinha (PTdoB), Flávio Olmos e Hélio Lisse Júnior (PSD), foram duros nas críticas ao assessor Luís Carlos Rodrigues Rosa Júnior, no entanto sem declinar seu nome, autor do parecer que foi assinado pelo prefeito.

“Nós, vereadores, não temos o respeito que merecemos. Não por parte da população, mas por parte de algumas pessoas, infelizmente pessoas esclarecidas. Não estou aqui generalizando, porque tem pessoas boas na área jurídica da prefeitura municipal. Mas tem um advogado lá que está levando, eu particularmente entendi assim, como uma ‘gozação’ a gente aqui na Câmara Municipal”, começou o vereador Niquinha, da Tribuna.

“Esse projeto foi vetado em três folhas (de texto justificativo). Eu acho que não precisava. E está dizendo que vereador só tem que fazer indicação e mais nada. Isso, para mim, é uma ‘gozação’ com a cara dos vereadores”, protestou.

Depois de lembrar que ele foi o autor de um projeto encaminhado à Câmara que teve que ser votado três vezes para corrigir erros, Niquinha relatou também outro fato passado de Rosa, que foi assessor jurídico da Câmara Municipal na gestão de Francisco Ruiz (2007-2008), quando foi adquirido, por quase R$ 150 mil, um painel eletrônico de votação, sem uso até hoje.

“Ele devia ser um pouco mais esperto, porque isso que está ai atrás de vocês (apontando o painel instalado acima e ao lado da Mesa Diretora), esse painel, que custou R$ 150 mil, eu era vice-presidente (da Mesa), e falei para o Chico Ruiz, ‘veja quem te rodeia e não faça essa loucura’, e ele (o advogado) foi um dos que incentivou, ele era responsável pelo Jurídico da Câmara, e ele autorizou o Chico Ruiz a comprar esse painel. Mais de R$ 150 mil, que na época daria para comprar remédio para quem precisava de remédio, por quase seis meses”, complementou.

“Então, que ele tenha mais respeito com os vereadores. Veta o projeto, mas não ‘goza’ com a cara dos vereadores, eu não aceito isso. Se for preciso socar o dedo no nariz eu soco, já fui uma vez (à prefeitura fazer isso) e vou de novo”, completou.

“Fui eleito para representar a população, e aí você vê um advogado daquele, mandando vários projetos errados, querendo humilhar os vereadores dessa Casa”, protestou Flavinho Olmos. “Quanto ao veto, se ele achou ruim, não tem problema, o que eu fico preocupado é que esse advogado coloca o mandato do prefeito em risco, porque você vê que ele é fraco, mandou o mesmo projeto três vezes”, insistiu. Trata-se do projeto de Lei Complementar enviado à Câmara no final da gestão passada, mas a pedido de Cunha, de reestruturação administrativa.

“O meu projeto que foi vetado era para proibir de cortar água de sexta-feira, porque a pessoa sai cedo para trabalhar, chega em casa às 17 horas, esqueceu de pagar a conta, e a água está cortada. Já que não pode (ser uma iniciativa do vereador), não tem problema, mas não precisava responder querendo humilhar”, emendou Flavinho Olmos.

“Esse é o papel do vereador, de fiscalizar e cobrar. E o prefeito que tome cuidado. Há um tempo atrás eu disse que ele estava mal assessorado, e um mau assessor é esse. Às vezes um mau assessor prejudica o prefeito”, complementou. “É um absurdo, um projeto que vem contemplar as pessoas que estão com problemas financeiros. Já não cortam no final de semana, era só uma lei que viria regulamentar essa prática”, observou Hélio Lisse Júnior.

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