Vereadores batem boca e expõem bastidores da relação com Executivo

A sessão ordinária de segunda-feira foi a mais conturbada até agora, com três vereadores se digladiando verbalmente, e até expondo o nível de relação entre Legislativo e Executivo

Até o momento em que começou, a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de segunda-feira passada, 28 de maio, não tinha nenhum indício de que seria o que foi: uma “arena” onde três vereadores se digladiaram em termos nada usuais e aceitáveis para uma Casa de Leis em plena atividade legislativa. Mais que isso, no bate-boca entre Antonio Delomodarme, o Niquinha (PTdoB) e Hélio Lisse Júnior (PSD), ambos trouxeram à luz os bastidores da relação pouco ética de alguns vereadores com o Executivo de Fernando Cunha (PR).

De novo, o que provocou a “explosão” verbal de Niquinha foi ter sido classificado de “tranqueira” por Lisse em conversa com pessoa não identificada, que teria levado a informação ao vereador. Da vez anterior, o estopim havia sido o adjetivo “indivíduo” usado por Lisse da Tribuna. Foi quando surgiu a denúncia de assédio contra o vereador do PSD. A partir daí, ambos passaram a conviver em permanente estado de “combustão”.

Na segunda-feira, quando foi fazer uso da Tribuna durante a Ordem do Dia (quando o vereador tem três minutos para discorrer sobre qualquer assunto), Niquinha já foi direto ao ponto. “Eu quero dizer para o Hélio Lisse, que eu sou homem e assumo o que falo, porque ele trabalha de uma maneira baixa, grotesca”, começou, pegando a todos de surpresa, até o próprio oponente.

“Você encheu a cara de cachaça e falou que sou ‘tranqueira’, você me chamou de ‘tranqueira’ para uma pessoa. ‘Tranqueira’ é pessoa que assedia, assedia mulher aqui na Câmara Municipal, ameaçando funcionário aqui na Câmara, viu, ex-delegado de quinta categoria? ‘Tranqueira’ é você que assedia”, insistiu Niquinha. “Enche o rabo de cachaça, e chama os outros de ‘tranqueira’, você vai apanhar de cinta um dia para tomar vergonha na cara, seu vagabundo”, prosseguiu, aos gritos, da Tribuna.

Niquinha chegou a desafiar Lisse para às vias de fato: “Pega eu depois da sessão, depois da sessão você me espera ali fora, seu cachaceiro barato”. Para Niquinha, Lisse “estragou a politica”, porque “jogou os vereadores contra o prefeito e o prefeito contra os vereadores”. Depois, revelou que está com o prefeito “desde o começo”, insinuando que Lisse teria recebido benesses para se aliar ao governo municipal. “Não fui favorecido igual a você para mudar de lado, seu corrupto politico, mercenário politico”, arrematou.

Na sua vez de fala, Hélio Lisse foi à réplica: “Vou falar para esse vereador que ele tem que fazer um exame de sanidade mental para estar aqui dentro da Câmara, esse cara é bipolar, ele tem problema mental, seria bom que fizesse um exame de sanidade mental. O senhor ouve dizer o que não sabe e fala o que quer”, começou. Depois, deixou antever que, de fato, poderia ter usado a expressão, ao dizer que estava cobrando “o terrorismo e a conspiração” que julga estarem fazendo contra ele para cassar o seu mandato. “Era isso que estava cobrando”, disse ele, depois de admitir atritos com o ex-prefeito Geninho, seu ex-secretário de Governo Pitta Polisello, e o assessor de deputado Jurandir Martins, o Durrula.

“Agora o senhor vem dizer que estou praticando a politica que você sempre fez, aquela politica de ‘tranqueira’”, prosseguiu o vereador, fazendo referências sobre a atuação de Niquinha à frente da Associação dos Funcionários Públicos (AFPMO) –“O senhor nunca fez um balancete plausível”- e do Olímpia FC, “que recebe dinheiro do município”. Citou ainda o fato de uma das filhas do vereador trabalhar na administração da Associação. “Sua família inteira trabalha na prefeitura, o senhor é um politico nojento, e eu não tenho medo da sua língua”, esbravejou.

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