Vereador critica Planeta sem ler o texto criticado

Magalhães, líder do prefeito na Câmara, disse que ‘alguém pediu’ para ele criticar a matéria e o jornal; depois, em conversa com a reportagem, admitiu ter ficado constrangido

Vereador suplente João Magalhães

O vereador e líder do prefeito na Câmara Municipal, João Batista Dias Magalhães (PMDB), usou da Tribuna na sessão de segunda-feira passada, 5 de fevereiro para, entre outros assuntos, tecer críticas à reportagem publicada na edição de sexta-feira passada, 2 de fevereiro, deste jornal, dando conta da contratação de uma médica psiquiatra por 5,4 vezes mais do que ganha um profissional da rede municipal de Saúde.

A reportagem soube depois, pelo próprio vereador, que ele sequer tinha lido a matéria em questão, e que apenas atendia a uma “solicitação” de “alguém” da área da Saúde, para que contestasse a reportagem.

Ao usar da Tribuna, no espaço da liderança, Magalhães disse: “Aproveito para fazer uma citação a respeito do jornal News (sic), que desde o ano passado, tem sido um jornal com noticias não corretas, não verdadeiras”.

“Agora recentemente –eu não li o jornal porque a quantidade de exemplares é pouca e não chega a toda população, apenas a um circulo de amigos-, foi dada uma noticia a respeito de que a prefeitura municipal tivesse contratado uma médica por R$ 27 mil, e não é verdade isso”, contestou.

“É interessante procurar a notícia na sua essência, no seu conteúdo, buscar os elementos necessários, para que a imprensa possa ter a liberdade, mas também possa pautar pela verdade. Então, a notícia como ela é colocada, ela chega a ser assim, perigosa, comprometendo a vida pública das pessoas que estão exercendo essa função. Então eu gostaria que o jornal mais uma vez buscasse se inteirar dos assuntos”, pediu.

Porém, caso Magalhães tivesse lido a matéria, saberia que, no parágrafo final, foi reproduzido o conteúdo do e-mail encaminhado ao governo, dois dias e meio antes do prazo final do fechamento do jornal, cuja matéria foi a última a ser redigida. E saberia, também, que logo na introdução da matéria, isso foi deixado claro.

“Eu não estava sabendo disso (do e-mail). Me pediram para falar do assunto e eu falei”, disse o vereador. À pergunta se havia sido a secretária, Sandra Lima, disse que não. “Foi outra pessoa lá da área”, argumentou. Ao ser informado de que, antes da publicação, a editoria procurou informações junto ao Governo, por meio da assessoria de imprensa, que não respondeu ao e-mail, disse ter ficado constrangido, e que iria “apurar” o que havia acontecido.

Na reportagem em questão, sob o título “Cunha contrata médica e paga 5,4 vezes mais que a profissional da rede”, o jornal informava, logo na introdução, que havia encaminhado, e aguardado resposta até o último momento possível antes do fechamento da edição, um e-mail à assessoria de imprensa do prefeito Fernando Cunha (PR), por meio do qual buscava esclarecer as condições em que foi contratada a médica Thaisa de Matos Arantes Brito, para a área de psiquiatria, pagando a ela, por meio de sua empresa, R$ 27 mil mensais, por 400 consultas/mês, enquanto um médico da rede recebe R$ 5 mil por 320 consultas/mês.

Foi observado, ainda, que a médica, além de Olímpia, atende nas cidades de Frutal, Colômbia, Monte Azul e Severínia, consta que nos mesmos horários em que atende em Olímpia.

E que o contrato da profissional, assinado no dia 4 de janeiro passado, tem o valor de R$ 307.200, válido por um ano, ou seja, R$ 25.600 por mês para atender  400 consultas. Isso dá 100 consultas por semana, ou 20 por dia, à razão de R$ 64 por consulta. E que um médico da rede, concursado, ganhando R$ 5 mil, tem que realizar 320 consultas. Isso dá 80 consultas por semana, ou 16 consultas por dia, a um valor de R$ 15,62 por consulta.

No último parágrafo da reportagem foi reproduzida a íntegra do e-mail, que segue: “Boa tarde! Gostaríamos de maiores informações sobre o Contrato nº 03/2017: 1 - Quantos profissionais atenderão às 400 consultas/mês? 2 - Todos os profissionais que atuarão possuem título de especialista em psiquiatria e devidamente registrados no CREMESP? 3 - Como será feito o atendimento do objeto do contrato? Abrange somente o Centro de Saúde mental?  4 -   Como se chegou ao atendimento de 400 consultas por mês? 5 - Existe falta de medicação na Saúde Mental?

Quanto à afirmação de não receber o jornal, o próprio presidente da Casa, Luís Gustavo Pimenta (PSDB) esclareceu: “Essa Casa assina os três jornais da cidade, o que ‘mete o pau’ na Câmara (referindo-se ao semanário Folha da Região), e o que ‘mete na prefeitura’. Então, aqui tem os três, aqui é uma democracia, quem não estiver recebendo na sala de Vossas Excelências, questione lá o chefe de Gabinete que temos as três assinaturas (o outro jornal é o Gazeta Regional)”. Os jornais são colocados nas salas de todos os vereadores, todas as sextas e segundas-feiras.

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