Taxa de turismo volta a ser discutida e pode ser implantada

Repercussão nas redes sociais foi grande esta semana, com maioria de olimpienses apoiando a iniciativa, mas outro tanto se posicionando contra

Vereador Niquinha

A cobrança de uma taxa de turismo que já há algum tempo vem sendo aventada e esta semana voltou ao debate, pode mesmo ser implantada, de acordo com revelações do vereador Antonio Delomodarme, o Niquinha (PTdoB), feitas na sessão de segunda-feira da Câmara de Vereadores. Ele disse já ter conversado com o prefeito Fernando Cunha (PR), que admitiu a possibilidade.

Esta ideia surgiu na realidade ainda na legislatura passada, por meio do então vereador-suplente Paulo Poleselli de Sousa, mas encontrou forte resistência. Nesta legislatura, quem a ressuscitou foi Flávio Augusto Olmos (DEM), mas até o momento estava “congelada”. A novidade foi trazida por Niquinha, que no final de semana precisou usar os meios de atendimento médico da cidade e percebeu que estavam superlotados de turistas.

“Eu estive com meu neto na Santa Casa ontem (domingo), porque estava lotada a UPA. Entendo que os turistas têm que ser atendidos, mas a sua ideia (referindo-se a Flávio Olmos), é muito importante, é maravilhosa na verdade, e o prefeito tem comentado isso comigo também”, disse o vereador.

Segundo ele, Cunha teria lhe dito ser necessário o aval do Clube Thermas dos Laranjais para a implantação da taxa. “Mas isso, uma hora ou outra vamos ter que colocar”, frisou. A taxa, entre outros benefícios, permitiria aliviar o problema do atendimento em saúde, por exemplo. O vereador citou o exemplo de um amigo que foi viajar recentemente “e deixou uma taxa de R$ 15,50” (ele não citou o nome da cidade). “Ontem (domingo) eu vi os problemas que (os turistas) trazem para nossa cidade neste aspecto”, concluiu.

No começo de 2015, o então vereador Paulo Poleselli de Souza (PR) chegou a dizer que o então prefeito Geninho (DEM) estava aguardando estudos mais aprofundados sobre sua ideia de implantar na cidade a “Taxa de Turismo Sustentável”, como vinha defendendo desde 2013.

Com uma arrecadação estimada por ele à época em torno de até R$ 600 mil por ano, a Taxa serviria depois para ser dividida entre Saúde, Limpeza Pública e até com o marketing em torno do setor turístico. A taxa seria cobrada de hóspedes de hotéis, pousadas e casas de temporada.

Também o diretor-clínico da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, Nilton Roberto Martinez, em novembro daquele ano pediu aos vereadores que estudassem a possibilidade da criação de uma taxa de turismo para ser cobrada de quem vem a Olímpia usufruir do Thermas dos Laranjais e futuramente dos outros empreendimentos que estavam surgindo, como o Hot Beach. Para ele, esta seria a única maneira daquele hospital sair da profunda crise financeira na qual há anos está mergulhado. “Os olimpienses financiam a saúde dos turistas, quando deveria ser o contrário”, disse ele.

REPERCUSSÃO NA REDE SOCIAL
Na rede social Facebook a repercussão foi grande em uma nota publicada sobre o assunto. As respostas, às dezenas, vieram de imediato. Arnaldo Silva, por exemplo, concordando, disse que os turistas “usam as nossas instalações, feitas para os moradores de Olímpia”. Robson Simão Marques, por sua vez, considerou uma “excelente proposta”, e sugeriu um valor simbólico de R$ 5. “Ano passado o Termas recebeu mais de 2 milhões de turistas, só aí daria mais de 10 milhões de reais, que poderiam ser revertidos em investimentos na cidade”, pontuou.

Também concordando, José Augusto Depieri Branco achou “perfeito”, porque “o olimpiense paga preços absurdos em aluguéis, restaurantes e bares por causa do Turismo. Não tem nada de mais cada turista pagar uma taxa simbólica para ser revertida em melhorias para a cidade”.

Já Francisco Carlos Anoni entende que a taxa “pode afastar os turistas”, porque “vai encarecer as despesas”. E exemplifica: “imaginem pai, mãe e filhos pagando uma taxa extra, e que esse valor poderia ser gasto nos hotéis, bares, restaurantes, no comércio em geral”.

Julianne Reis disse que concorda, “desde que seja investido, por exemplo, na Santa Casa, para ajudar no atendimento e desafogar a UPA”. O radialista Joao Batista Baraldi diz que “a proposta, se bem estudada, pode ter suas qualidades”. Paulo Augusto Minari diz não concordar. “Para mim é imposto sobre imposto. Qualquer turista que chega na cidade já paga, indiretamente, todos os impostos”.

Quem também não concordou com a ideia foi Janeclei Delomodarme, filha do vereador Niquinha. “Não concordo. Isso é cobrar imposto sobre imposto. Não vejo sentido algum cobrar uma taxa pro turista visitar a nossa cidade. Quando ele vem à cidade, automaticamente já gera dinheiro. Afinal ele gasta aqui, consome aqui. Então, não vejo sentido nisso”, arrematou.

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