Niquinha ocupa a tribuna para propor a discussão do Serviço Funerário da cidade

Vereador afirma que a população reclama dos preços elevados e do monopólio de serviços

Vereador Niquinha

  O vereador Antônio Delamodarme (Niquinha) ocupou a tribuna da Câmara, na sessão de segunda feira 25, e discorreu longamente sobre o serviço funerário da cidade.

            “Acho que todos os vereadores desta Casa já foram cobrados” – disse o vereador de início. “Venho sendo cobrado, desde o tempo em que não era vereador, com reclamações sobre o serviço funerário na cidade. Estive num comércio semana passada e fui abordado por três senhoras perguntando se eu era vereador e uma delas indagou: ‘O que vocês estão fazendo na Câmara de Vereadores que não tomam providências contra a funerária de Olímpia? Eu precisei fazer um empréstimo no banco para enterrar um ente querido” – ela disse”.

            O vereador prosseguiu, dizendo:

            “Fiquei indignado com a palavra daquela mulher. Infelizmente aconteceu com a irmã do massagista do Olímpia F.C., que gastou algumas taxas sem poder pagar. Só para arrumar a pessoa falecida R$180,00. Depois pagou para fazer autopsia, foi comprar a cova (sepultura) e não tinha condições, porque um espaço (no cmitério) está mais caro que um terreno em Copacabana, na beira da praia”.

            Niquinha continuou o pronunciamento, dizendo:

            “Nós, vereadores, temos que tomar uma decisão, temos que  pegar a pessoa que tirou o serviço funerário da nossa cidade na época (sic), temos que sentar e conversar. Sabemos quem é, porque não existe uma cidade com uma só funerária fazendo todo o serviço funerário e a população não tem a quem recorrer” – acentuou enfaticamente o vereador, que prosseguiu:

            “Temos que correr atrás porque um rico tem condições de pagar um velório caro, mas as pessoas carentes, que são maioria, não têm condições de pagar o que estão cobrando. No caso do massagista a prefeitura cedeu a parte devida, forneceu caixão, assistente social, mas a hora que cai na funerária é um absurdo”.

            E conclamou:

            “Nós, vereadores, precisamos chamar a pessoa responsável por isso, levantar essa lei que foi criada (aprovada) em 2006”.

            Em seguida, Niquinha conclamou os demais vereadores a tomar uma atitude sobre o assunto em busca de um acordo “porque hohe bão dá nem para enterrar (sepultar) um ente querido”.

            Posteriormente, ocupando outra vez a mesma tribuna, Niquinha insistiu no assunto para dizer: “Eu acho que que deve ter (prever) a livre concorrência. Vem para ajudar os mais carentes. Inclusive, quando morre um ente querido e precisa fazer a tumba a gente não pode por (escolher) o pedreiro que queremos. Às vezes temos um pedreiro, mas não pode construir ali. É um absurdo e essa lei tem que ser alterada” – insistiu Niquinha.

            Isistindo que vai continuar a “bater em cima disso”, Niquinha se disse disposto a procurar até o Ministério Público, concluindo: “Não existe nenhuma lei que não possa ser alterada”.

 

            Um pouco da história desse assunto delicado

 

      O serviço funerário é municipal. Mediante concessão do município, empresa ou empresas privadas podem executar o serviço. O Cemitério São José também pertence ao Município, tendo sido aprovada a concessão ao particular em 2008, por votação majoritária da Câmara Municipal pelo prazo de vinte (20) ou trinta (30) anos.

      Até então, o cemitério era administrado pela Prefeitura. A concessão foi feita mediante documentação contendo as clausulas de uso e preservação de direitos inerentes ao poder concedente (Município). Passou por reformas, construção de sanitários, dispositivos de segurança e outros melhoramentos.

       Em relação ao monopólio alegado, lembramos que a cidade já teve duas funerárias num passado distante: Funerária Santa Terezinha, pertencente ao Sr; Nicolau Daud, e outra funerária cujo dono era o Sr. Sebastião Neto, adquirida pelo “Seu” Nicolau. Destas empresas surgiu, mais tarde, a Organização Social de Luto, tipo de “holding”.  A Funerária Santa Terezinha permanece no mesmo endereço de sempre.

      Com o falecimento do Sr. Nicolau Daud assumiu as empresas Dª Antonieta Bonini Daud, auxiliada diuturnamente pelos filhos Miguel, Mariliza e Fany, além dos genros André e Adalto, especialmente o Miguel pela experiência como empresário e conhecimento profundo dessa atividade essencial.

      André e Fany moravam em Potirendaba, Adalto e Mariliza em Santa Fé do Sul.

     Em épocas diferentes André e Fany faleceram  deixando uma filha. Adalto (já falecido) e Mariliza tiveram filhos com participação ativa nas empresas, um deles tragicamente morto em acidente.

      Dª Antonieta faleceu não tem muito tempo. Lá atrás, 30 ou 40 anos, a Organização Social de Luto construiu o Velório Nicolau Daud, o mais antigo, e posteriormente ergueu o segundo velório, mais espaçoso e acolhedor, apesar da circunstância.

      A Organização foi pioneira ao lançar o “Consórcio Convida”, com milhares de associados e viés de novas adesões, que contempla os inscritos com todas as providências que envolvem velório e sepultamento, incluindo as de natureza legal. Sendo pioneiro, o Consorcio tem servido de modelo para funerárias da região e de cidades distantes, até de outros estados. Geninamente olimpiense, diversificam investimentos aqui no comércio de famácias e no mercado imobiliário.

      As empresas do grupo devem inaugurar em breve um moderno “Campo Santo”, estilo jardim, com arborização, gramados e equipamentos semelhantes aos que são vistos nos cemitérios de ambiente mais acolhedor, silencioso e reflexivo.

            De toda forma, as funerárias e o cemitério São José são concessões do Município, autorizadas por Leis e contratos celebrados por instrumento público assim como a construção do novo cemitério dependerá de concessão.

      Ouvido pelo Planeta News, Miguel Daud informou que o cemitério “Jardim das Primaveras” está pronto e será inaugurado muito em breve, dispondo de ampla recepção e seis (6) salas de velório, estando  projetado um moderno crematório ali.

      Como novidade, a Organização Social de Luto vai inaugurar o cemitério “pet” para sepultamento de animais de estimação, gratuitamente, seguindo uma tendência atual e o interesse demonstrado pelo próprio vereador Niquinha.

    Vale lembrar, ainda, para enriquecer o debate, que a empresa administra os cemitérios de Ribeiro e Baguaçu, onde construiu os velórios.

  A discussão é salutar, observados todos os aspectos legais que envolvem a delicada questão.

 

                       

 

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