Município não castra e deixa ONG ‘falando sozinha’

Cunha confirmou que Daemo ‘cochilou’ ano passado nesta questão, e novo diretor afirma que há três meses a Superintendência ‘acordou’; mas castrações, se houverem, serão mínimas

Presidente da Ong Sueli Aparecida de Carvalho

Inexplicavelmente, ou nem tão inexplicavelmente assim, a prefeitura mantém silêncio profundo quando questionada sobre serviços de castração de animais. Embora o prefeito, indiretamente, tenha confessado que no ano passado, nenhum gato, ou cachorro, foi castrado. Ele disse que a Daemo Ambiental “cochilou” em 2017.

Depois, veio o diretor da Superintendência e ratificou, dizendo que a Daemo havia “cochilado” por 10 meses (gestão de Otávio Lamana), mas que agora “acordou”, nos últimos três meses (ele tomou posse em outubro). Porém, ao que parece, ficou meio sonolento, porque não levou a efeito a licitação para contratação de empresa para castrações caninas e felinas. Há rumores de que uma rusga de cunho político teria surgido nesta seara.

Assim, enquanto o governo vai da constatação à inércia, uma Organização Não Governamental, a ONG Miau, vai fazendo o que lhe cabe e é possível fazer, castrando animais abandonados e recolhidos ao seu canil e gatil. Sueli Aparecida Carvalho garante que no ano passado, mesmo sem ajuda oficial, castrou 400 animais.

Este serviço ela executava, até 2016, com total apoio da prefeitura. A partir de 2017, consta que, por razões políticas também, ela ficou “falando sozinha” e lançou campanha pública para obter fundos e continuar a obra.

Sua preocupação, diz, além de humana, é também profilática. “Se não houver um programa de castração continuado, há várias doenças que podem proliferar e alcançar os humanos, como, por exemplo, a Leishmaniose, doença da qual são hospedeiros os cães. E para uma cidade turística isso é bem perigoso”, avaliou.

A proposta da prefeitura, por meio do Setor de Meio Ambiente, é castrar 800 animais este ano, o que daria média pífia de 67 por mês. Sueli Carvalho, no entanto, disse que o ideal seria 1,5 mil no ano, “para resolver parcialmente o problema do abandono e da superlotação do canil”. Hoje ela consegue, por esforço próprio e ajuda de cidadãos comuns, castrar em torno de 10 por mês.

Apesar dos pesares, Guto Gianotto, o superintendente, esnoba a situação e até mesmo a “performance” de seu antecessor, dizendo que “o que andamos nestes três meses e o que não andamos em 10 meses, dá razão ao prefeito em dizer que a Daemo ‘cochilou’”, tripudia.

Gianotto diz ainda que a Daemo não tem nenhuma vinculação com ONGs, apesar das acusações de que uma diretora da ONG SOS Animais, vinculada ao vereador José Elias de Morais, o Zé das Pedras (PR), Maria de Lourdes Bertin Ignácio, a Lurdinha, seria funcionária comissionada na Superintendência.

Aliás, teria sido ela a coordenadora da campanha de castração que teria ocorrido em Olímpia no ano passado, por meio da prefeitura e Daemo, quando teriam sido castrados 100 animais. No entanto, desde a semana passada o Planeta News aguarda uma confirmação da prefeitura, que não vem. Notícia divulgada por um site local, em junho do ano passado, diz que houve a castração, ouve a Lurdinha como coordenadora dela, e cita Zé das Pedras como supervisor.

Porém, Sueli Aparecida de Carvalho, disse à reportagem do Planeta News, na semana passada, que “nenhum cão ou gato foi castrado no ano passado” pela prefeitura ou Daemo.

Chegaram a fazer um Pregão Presencial/Registro de Preços 25/2017, visando à contratação de empresa para prestação de serviços veterinários relativos à execução de procedimentos cirúrgicos de castração canina e felina em fêmeas, com encerramento em 18 de outubro, mas que, no entanto, foi revogado, segundo consta após declaração de empresa vencedora. E aí teria havido também certa ingerência política, dizem algumas fontes.

“No governo do ex-prefeito Geninho Zuliani recebia subvenção e a entidade que presido efetuava 100 castrações por mês, sendo sessenta totalmente gratuitas e 40 com fornecimento de material, ficando, ao proprietário do animal, somente uma taxa de R$ 50, totalizando 1.200 castrações por ano. Já em 2017, no começo do governo de Fernando Cunha, a subvenção foi suspensa e não foi feita nenhuma castração”, garantiu Sueli Carvalho.

E o prefeito Fernando Cunha, ao conceder entrevista, dia 27 de dezembro, ao site Diário de Olímpia, ao vivo, em que fez um balanço de seu primeiro ano de governo, ao ser questionado sobre a causa animal, especialmente recolhimento de cães e gatos abandonados, castrações, canil e ausência de um “gatil”, reconheceu que “a DAEMO cochilou na questão animal”, ou seja, não cuidou em nada, desta questão.

E no dia 15 de janeiro passado, também no DO, e ao vivo, estiveram na bancada da Redação o superintendente da DAEMO, Guto Gianotto, e a diretora de Meio Ambiente, engenheira Pollyana Rodero Fernandes, respondendo se, de fato, a autarquia ‘cochilou’, enquanto proliferam, na cidade, cães e gatos abandonados, sem uma política eficaz de castração. “Se formos comparar os 10 ou 13 meses, houve, sim, um cochilo”, confirmou Gianotto.

A redação do Planeta News reiterou, na terça-feira, o pedido de informações que viessem esclarecer, de forma oficial, esta questão, se houve de fato campanha de castração no ano passado. Porém, mais uma vez, obteve como resposta o silêncio profundo.

Mas o jornal ainda aguarda a manifestação de quem de direito, se não para responder às oito questões, para responder pelo menos quatro: 1 - Foram realizadas castrações em cães e gatos no ano passado? Se não, por quê? Se sim, quando e em que circunstâncias. 2 - Quantas foram feitas? 3 - Em qual local? 4 - Qual foi a verba destinada para esta operação?

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