Mesa da Câmara e CEIs foram ‘ingredientes’ para o embate

Desta vez um terceiro personagem entrou na refrega: o vereador Salata, que acusou Lisse de ‘leviandade’ na atuação legislativa

O cerne de todo este clima havido na Casa de Leis pode estar em dois panos de fundo: a eleição para a Mesa da Câmara, no fim do ano, e as CEIs começada e não concluída e por começar no Legislativo. A CEI inconclusa envolvia o vereador Salata (PP) e a por começar trataria da cassação do mandato do vereador Hélio Lisse, por quebra de decoro relacionado à acusação de assédio sexual a uma funcionária. A CEI inconclusa trouxe Salata para o embate com Lisse.

“Quero dizer a todos aqui, que durante oito meses me calei sobre a Comissão de Inquérito, do vereador Hélio Lisse, suposto relator da Comissão Especial, e detrator da moral alheia. No caso, me atingiu, no dia 16 de maio, através de uma fofoca ao seu marqueteiro (que seria o seu próprio assessor legislativo), dizendo que a CEI estava arquivada, mas cheia de improbidade. Então, é um vereador, hoje, que tem vários discursos, deslumbrado com a vida politica. Não conheço sua vida pregressa quando foi da policia civil, mas evidentemente é deplorável sua conduta nessa Casa”, começou Salata.

“Aqui, desde o começo plantou dificuldades para vender facilidades. É um homem preocupado com seu bem-estar, é um dissimulado, porque procura sobressair com discursos na vida pública atacando pessoas de bem, mas quando aqui houve intenção da Mesa em alterar o Código de Ética, ele se sentiu ameaçado e correu de joelhos à Praça Rui Barbosa (onde fica o Gabinete do Prefeito) para pedir ajuda”, revelou Salata.

Na sua volta ao microfone (por ser líder de partido ele tem outros três minutos), Niquinha tentou explicar sobre sua filha, que segundo ele “trabalha em uma empresa que não é pública (embora receba dinheiro de funcionários municipais)”, e que não tem cunhado na prefeitura, e seus irmãos estão em uma empresa de lixo terceirizada e registrados nela. “Não foi o prefeito que registrou, não, foi o seu Luis Biaggi (secretário de Obras), que colocou o caminhão e meus irmãos estão trabalhando.”

“Então, não tenho irmão empregado na prefeitura como ele tinha o cunhado, e agora levou vários para a Saúde (seu grupo político fez um ‘acordão’ com o prefeito e indicou nomes para a Pasta). Eu não tenho curso superior, mas não uso as pessoas que não têm curso superior para me glorificar”, completou.

Lisse, usando também dos três minutos da liderança voltou à Tribuna: “Eu ia dispensar a palavra, mas como o vereador Salata citou meu nome, venho dizer ao senhor que fui delegado, e vou continuar com meu sangue ao combate da corrupção, às coisas erradas, doa a quem doer. O senhor é um vereador quase condenado, o senhor recorreu da sentença de primeira instância, por esses crimes que o senhor mesmo mencionou. Está em grau de recurso, se confirmado, o senhor vai ter o nome jurídico de recuperando”, relatou.

Sobre a CEI, disse que ela prevê acusação dos crimes de peculato, improbidade administrativa e também desvio do dinheiro público. “Não admito atribuir à minha pessoa o arquivamento da CEI do senhor, a sua CEI foi arquivada por dilação de prazo, então, resumindo, vereador Salata, agua é agua”, completou. Depois, voltou-se ao vereador Niquinha: “Já havia dito que não queria mais discussão com o senhor, agora o gesto de tirar a cinta e falar que vai me bater, isso é horrível. Hoje essa Câmara está taxada como a pior dos últimos 50 anos”, opinou.

Salata, por sua vez, o chamou de “mentiroso” e “leviano” –“Achou que aqui fosse chegar e ‘surfar’ tranquilo, falando mal das pessoas, assediando funcionárias”. Depois, disse não temer as ameaças feitas por Lisse, fazendo uma grave acusação: “O senhor, ao que parece, na última festa estava armado para uma pessoa lá, ameaçando. Então, alguém tem que tomar as medidas contra o vereador, linguarudo, mentiroso, e leviano”, concluiu Salata.

Depois de todo bate-boca, o presidente da Câmara, Luiz Gustavo Pimenta (PSDB), usou da Tribuna para se manifestar. Disse que toda desavença começou por falta de a Casa se unir, conversar e apresentar, de maneira mais transparente, suas pretensões. “Jamais essa Mesa da Câmara ia fazer conluio para cassar vereador, para dar o tapa e esconder a mão. Pena que foi essa a informação ‘vendida’ ao Executivo”, falou, insinuando que Lisse o teria feito.

 “Esses conflitos não terão interferência nenhuma nesse presidente, e aquele que se sentir ofendido, que faça o requerimento por escrito. Nós somos maduros o bastante para subir aqui e defender a ideologia de cada um. Agora, se estão dando o titulo de pior Câmara que têm, paciência, eu estou fazendo a minha parte. Se é a pior Câmara, deve ser em relação aos dez vereadores que estão aqui, entre os quais eu me incluo. Então, como presidente, conclamo: vamos nos reunir mais, para que esse desgaste não chegue à população”, finalizou o presidente.

Comentários