Cachorros viram foco de debate na Câmara

Projeto polêmico de Olmos sobre proibição de fogos de artifício gerou forte bate-boca entre ele e José Elias de Morais, acusado de usar os animais para conseguir votos nas eleições

O polêmico projeto de Lei 5.174/2017, de autoria do vereador Flávio Augusto Olmos (DEM), que dispõe sobre o uso de fogos de artifício silenciosos em eventos públicos no âmbito do município, voltou a causar polêmica na sessão de segunda-feira passada, 6 de novembro. Como da vez anterior em que tramitou, agora também a polêmica foi grande, marcada por forte entrevero entre o autor e seu colega José Elias de Morais, o Zé das Pedras (PR), acusado por Olmos de se utilizar dos animais para angariar votos.

Olmos vinha tentando aprovar esta propositura desde praticamente o início do ano, mas desta feita não teve como retira-lo de pauta (pedido de vistas), como queria, por intercessão do presidente da Mesa Diretora, que queria resolver o problema de vez. Com parecer contrário à tramitação da Comissão de Justiça e Redação, acatado por cinco votos a quatro, o projeto acabou por fim arquivado. Fazem parte da CJR os vereadores Selim Jamil Murad, presidente, Morais e João Magalhães, como membros.

“A gente colocou esse projeto no começo do ano, e acabamos retirando. Acredito que chegou a hora de votar, é uma ideia minha, só para que o pessoal possa saber, a gente está proibindo aqui o poder municipal, em eventos públicos, de soltar fogos de artificio. Além de trazer economia para o município, propiciará o bem estar das crianças, dos animais, dos idosos. Esse é o maior intuito do projeto”, explicou o autor.

“É um projeto que eu não sabia que seria tão polêmico desse jeito. Quando o pautei da primeira vez, estávamos proibindo fogos de artificio no geral, porque quem tem animal em casa sabe qual é o sofrimento. E a ideia também era para que a prefeitura economizasse. E agora não estávamos proibindo totalmente, estávamos proibindo fogos de artificio com barulho, os silenciosos podem soltar á vontade. Esse projeto visava, antes de tudo, o bem estar das crianças, dos animais, idosos, e melhor ainda, de economia para o município”, completou.

No entanto, seu colega José Elias Morais, o Zé das Pedras, desde o princípio incomodado com a “inserção” de Olmos no mundo canino, criticou ferozmente a proposta. “Eu fico preocupado com esse projeto, ele falou que está preocupado com os animais, mais como com os animais, se ele está proibindo só o prefeito (de soltar fogos)?”, perguntou.

“Eu não entendo a sua colocação, os outros podem soltar fogos, agora o prefeito não pode, então o vereador está entrando em contradição. E eu vejo esse projeto como uma afronta, só para entrar na mídia (e passar a seguinte mensagem): ‘Espera aí, o Zé das Pedras é contra o projeto?’. Eu vejo isso aí em você, porque se é para proibir, proíbe a cidade inteira”, cobrou.

“Eu fico preocupado com essa colocação, porque esse projeto já estava lá no cantinho (havia sido retirado pelo autor) voltou, para que votar em um projeto desse, sendo que o nosso parecer (do CJR) é contrário? E não adianta as pessoas (vereador) virem falar aqui na Tribuna, porque na rua eu não vejo essas pessoas preocupadas com maus tratos, não vejo elas na rua trabalhando de verdade, porque falar qualquer um fala. Então, eu fico preocupado, porque você está falando uma coisa, e ao mesmo tempo não está falando nada, porque proibir o prefeito de soltar fogos por conta dos animais, mas ao mesmo tempo, a população pode soltar fogos, aí você está abusando da inteligência das pessoas, aí você vai me desculpar, você está por fora, um projeto falando dessa forma que você está falando”, criticou Das Pedras.

Olmos, na réplica, disse: “Eu fico encabulado, porque eu coloquei um projeto de Lei, que é minha ideia, se o nobre vereador quer votar contra essa minha ideia... Agora, não estou falando aqui que sou defensor de animal nenhum, e muito menos vejo o senhor como defensor, eu não vejo você brigando, Olímpia não tem castração, por exemplo. (o senhor) usa isso para se aproximar do próximo (eleitor), o nobre vereador faz isso, eu não, eu estou aqui fazendo administração pública, nenhum momento aqui eu falei ‘dá um saco de ração para cada cachorro’, em nenhum momento falei que sou defensor de animais. Agora, o que me deixa mais triste, é a gente ver um vereador sendo eleito como defensor de animais e não fazer nada. A gente vê um cara falar que é defensor de animal e não briga pela (falta de) castração (pública) em Olímpia”, finalizou.

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