Após 17 anos, Hemocentro deve fechar

Provedora se nega a arcar com custos superiores a R$ 24 mil mensais, e prefeito fala em passar a trabalhar com o HC de Barretos; prédio deve ser devolvido à Santa Casa

Após 17 anos de atividades ininterruptas em Olímpia, o Hemocentro instalado ao lado da Santa Casa de Misericórdia caminha para fechar suas portas em definitivo na gestão Fernando Cunha (PR). A provedora da Santa Casa, Luzia Contim, não quer se responsabilizar por um custo superior a R$ 24 mil mensais para manter o órgão, e o prefeito planeja fazer este tipo de ação por meio do Hospital do Câncer.

O prédio, cedido em comodato desde 1997 pelo hospital, deverá ser devolvido. O Hemocentro foi inaugurado em Olímpia em 2001, início da primeira gestão do então prefeito Luiz Fernando Carneiro (PMDB), inclusive contando com a presença do governador Geraldo Alckmin.

O órgão em Olímpia recebe pagamento do Estado para coletar e distribuir o sangue, mas não recebe para fazer as transfusões, o que foi provocando acúmulo de prejuízo ao longo do tempo, porque de uns tempos para cá não foi mais possível essa cobertura. “O Tribunal de Contas começou a cobrar dos Hemocentros esse prejuízo, porque se estava desviando dinheiro da atividade inicial dele para a atividade meio”, explicou o médico Tássio José de Carvalho e Silva, diretor do núcleo de Olímpia.

Segundo ele, o órgão deu um prazo para essa regularização que agora chegou a Olímpia. “Então, hoje nós trabalhamos com um déficit de R$ 20 mil a R$ 22 mil por mês, e esse déficit vem das transfusões, que é responsabilidade do hospital que transfunde, no caso a Santa Casa de Olímpia”, prosseguiu.

“Então nós estamos tentando resolver isso há um ano e meio com a Santa Casa. Tivemos diversas reuniões, as administrações mudaram com o tempo, e agora estamos conversando com a Santa Casa para que o Hemocentro continue prestando serviços aqui em Olímpia”, complementou.

Uma solução apontada pelo médico seria implementar proposta feita pelo presidente da Câmara, Luiz Gustavo Pimenta (PSDB), de prestar auxílio financeiro do caixa da Câmara para manter o Hemocentro. “Tivemos uma conversa longa com o presidente da Câmara, e ele levou a ideia de se discutir isso em Plenário, e ajudar a cobrir esse déficit que temos atualmente”, contou Tássio.

Olímpia tem um teto de 400 bolsas por mês e tem conseguido manter, embora o trabalho de captador seja árduo, segundo Carvalho e Silva. Para ele, “será uma perda para a cidade, um retrocesso muito grande”, o fim do Hemocentro. “Depois de 17 anos de funcionamento, Olímpia perder uma unidade de hemoterapia de qualidade como essa daqui. Vamos colocar no papel aí, quantas cidades têm um Hemocentro à disposição, e tanto para a coleta, quanto a utilização quando necessário, seria realmente uma perda muito grande”, finalizou.

Comentários