‘O Rotary não é assistencialismo’, diz governadora

Maria Cristina Noceti Lopes, governadora do Distrito 4480, esteve em Olímpia no sábado e falou com exclusividade ao Planeta News sobre a amplitude mundial das ações do Clube

A governadora do Distrito 4480 do Rotary Club, Maria Cristina Noceti Lopes, esteve  visitando o clube olimpiense no sábado passado, dia 14, quando se reuniu com os integrantes dos Rotary Olímpia, Rotary Integração, Rotaract e Interact para conhecer os resultados das ações implementadas na Estância Turística de Olímpia. Falando com exclusividade ao Planeta News, Maria Cristina traçou um detalhado panorama a respeito das ações do Clube de Serviços, em âmbito geral.

Planeta News: Como que é o Rotary em nível mundial, em nível de Brasil, qual a grande preocupação de vocês?

Maria Cristina Noceti Lopes: O Rotary Internacional é uma entidade secular, já estamos com 112 anos, nós já somos 525 distritos no mundo, aqui no Brasil nós somos 38 distritos, e somos uma família de mais de 1,2 milhão de pessoas no planeta inteiro. O Rotary não é assistencialismo, ele faz grandes projetos, tem grandes projetos e grandes programas. Dentro dos programas do Rotary Internacional, tem o Rotary, o Rotaract, que são jovens de 18 a 30 anos, o Interact, que é para idades entre 11 a 18 anos. Nós temos aqui no Distrito 4480, 1.769 companheiros. E temos um braço muito forte, que é a Fundação Rotária, o nosso banco. Somos a única ONG no mundo que possui um banco para financiar os projetos. O trabalho do Rotary no mundo é fazer grandes projetos, equipar grandes hospitais, clínicas, e por meio da Casa da Amizade, ajudar na parte mais assistencialista da comunidade. Mas, o Rotary se preocupa com grandes projetos, nós chamamos de projetos globais, são projetos que fazemos em parceria com o poder público, os hospitais... Por exemplo, para o Hospital de Câncer de Barretos, Unidade Jales, doamos arcos cirúrgicos, bisturi eletrônico, e ao mesmo tempo estamos fazendo projeto com Taiwan, na China, com o Japão, da mesma forma que eles fazem projetos conosco, porque projeto global tem que ter a participação do parceiro internacional.

PN: Vocês têm uma preocupação muito grande com a questão do fornecimento de água limpa, a questão do saneamento, a questão da saúde...

Maria Cristina: São seis ênfases, todos os projetos têm que cair nessas seis ênfases: é a saúde materna infantil, prevenção de doenças, recursos hídricos, educação, meio ambiente e desenvolvimento da comunidade. Nós pensamos, em primeiro lugar, desenvolver o potencial das comunidades, e não podemos fazer o programa que a gente quer, temos que fazer o diagnóstico na comunidade e levantar o que esta comunidade precisa, e aí sim é que o Rotary sai atrás para fazer os projetos. O Rotary é dotado de profissionais que detectam problemas na comunidade e resolvem esses problemas.

PN: Vai muito além daquela ideia que o cidadão tem: “Mas o Rotary só faz reunião, eles só vão a jantares”... Na verdade é um trabalho muito grande.

Maria Cristina: Nós temos um apoio muito grande do nosso companheirismo, que é muito forte. O Rotary sem projetos e sem companheirismo não anda. Agora, aquele projetinho que vem aqui para a gente, por exemplo, nós estamos precisando de 33 pacotes de fralda. Não é bom a gente comprar os 33 pacotes, e sim comprar uma máquina, para eles (os necessitados) fazerem. E o projeto tem que ser sustentável. Nós não podemos assistir um projeto a vida inteira, então, o que o RI e a Fundação Rotária nos pedem, são projetos sustentáveis. Você vai fazer um gabinete dentário com o poder público, o poder público está ali para nos ajudar, contribuir com o local físico e o profissional. O Rotary não pode pagar nem construções e nem mão de obra. Então, a gente equipa os locais junto com a prefeitura, junto com outros órgãos e até outras empresas, como a Unimed. Com ela temos um projeto em São José do Rio Preto, de leite humano. O Rotary equipou todo o banco de leite, e a prefeitura deu o local e a Unimed a mão de obra, então foi a parceria perfeita. Eles deram uma perua toda equipada para ir à casa das mães recolher o leite materno, e doar também para algumas mães que não têm.

PN: Na área da Educação vocês também têm uma proposta bem grande...

Maria Cristina: Bem grande, nós temos na área da Educação, os “segundos tempos” que a gente fala, da escola. Várias cidades aqui da região –nós somos em 42 cidades, 69 Rotarys-, e várias cidades fazem esse trabalho também em parceria com a prefeitura. Então, nós temos um determinado local que se usa para fazer o “segundo tempo”, mas a sala de Informática foi o Rotary que construiu, as quadras poliesportivas, as piscinas. Por exemplo, a APAE tem uma piscina com elevador, mas a APAE é uma instituição que depende do poder público, e também do Rotary.

PN: Para ser mais especifico, na área da saúde vocês têm trabalho focado agora na erradicação da Pólio?

Maria Cristina: Nós estamos correndo muito atrás da erradicação da Poliomielite. Não é uma brincadeira, é uma bandeira do Rotary, desde 1980 que nós conseguimos tirar essa Poliomielite do nosso convívio, mas vemos que todo cuidado é pouco, porque em Viracopos foi achado um vírus da Poliomielite. Eles fizeram uma coleta no esgoto por amostragem, em 2014, e acharam o vírus. Nós não temos mais o “Zé Gotinha”, acabaram-se as campanhas de alerta e as vacinações, agora é uma campanha geral, que a prefeitura, o Governo Federal e o Estado fazem. Mas nós temos que alertar as mães da importância da vacinação, porque algumas nem sabem o que é a Paralisia Infantil, por terem nascido em uma época que não tinha mais (a doença). Mas temos que alertar e correr atrás, pedir para a prefeitura deixar o Rotary ajudar, porque a “perna” que o Rotary tem, a prefeitura não tem. Se você põe 10, 20 rotarianos na praça divulgando a importância da vacinação, a prefeitura vai adorar, porque ela não tem dinheiro para pagar os funcionários dela, e o Rotary faz isso com a maior das boas vontades. Esse é o nosso maior foco.

PN: Isso não implica só no trabalho, implica também em investimento de grandes somas para poder manter esse tipo de trabalho?

Maria Cristina: Aqui no Brasil, o governo já está bancando a vacina da Pólio, mas nós estamos no mundo inteiro bancando a vacina da Pólio. E temos três países no mundo que ainda têm, que são Argélia, Nigéria e Paquistão. E há dois meses, surgiu um surto de Paralisia Infantil na Síria, então você vê que a coisa está muito perto até de voltar, se não ficarmos alertas e não fizermos essas vacinas, é muito perigoso essa Paralisia voltar.

PN: Qual a principal mensagem do Rotary?

Maria Cristina: O Rotary tem grandes mensagens, principalmente na área das novas gerações. Nós estamos capacitando, através do Intercâmbio Internacional da Amizade, o jovem para ser “Embaixador da Paz no Mundo”. Ele sai daqui, vai para outro país, fica um ano mostrando o que nós temos aqui, faz uma divulgação, é um grande programa que o Rotary Internacional tem, é esse investimento que a gente faz também. Um jovem-destaque é bancado pelo Rotary, para apresentar para esse país oque ele faz no Brasil, e isso é uma grande mensagem que estamos conseguindo através dos nossos jovens, das novas gerações, por meio do Interact e do Rotaract. Divulgam o que fazemos no mundo, não só em nível de cidade, em nível de estado, mas em nível mundial. Paz e prevenção de conflito. E, para nós, a paz começa com uma mãe olhando o seu filho jantando, tendo com ele um lugar para dormir.

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