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Política
Pimenta disse ‘não ter idéia’ de onde tirar dinheiro e que desconhecia plano ‘B’


08/03/10

Interventor chegou ao hospital ‘cobrando’ a presença da provedora


O vice-prefeito, interventor-presidente, chega ao
hospital e depara com a provedoria fechada

O vice-prefeito Luiz Gustavo Pimenta (PSDB), nomeado pelo prefeito como interventor-presidente, chegou na quinta-feira pouco depois das 16 horas à Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, onde já o esperava toda a troupe de jornalistas-assessores, cinegrafistas e até um segurança “reforçado”, “cobrando” a presença da agora ex-provedora, Helena de Sousa Pereira. Tentou primeiro entrar na sala da provedoria, que estava trancada. As chaves estavam em poder da responsável financeira do hospital. Pimenta as pegou, abriu a porta e entrou, acompanhado da interventora-tesoureira, Eudirce Bordon Benatti, que, aliás, é integrante da atual ex-diretoria do hospital.

Na sala, Pimenta disse à imprensa: “Estou surpreso por não encontrar a provedora aqui para começarmos o trabalho. É com espanto que não vejo ela aqui (sic), e agora vamos procurar o Mário (Flores) para se inteirar (sic)”. A provedora não estava na sua sala, segundo relatou ao Planeta, porque a notificação da intervenção não foi endereçada a ela, mas, sim, ao administrador Flores, e por isso se sentiu desobrigada de esperar pelos interventores. A ex-provedora até considerou o gesto do prefeito uma indelicadeza. “Deviam ao menos respeitar minha pessoa”, queixou-se.

O interventor-presidente da Santa Casa disse que “não tem idéia” de onde tirar dinheiro para sanar os problemas do hospital. “Não tenho idéia, porque se tivéssemos, teríamos passado nas reuniões”, informou. Sobre as perspectivas do Governo Municipal resolver os problemas apontados pela promotoria, Pimenta disse que tudo vai depender de “voto de confiança”. Ele disse que até aquele momento não sabia do acordo feito pelos médicos na Justiça, aceitando os R$ 50 mil oferecidos, decretando o fim da paralisação, e falava em “protelar esta questão de greve até que possamos acertar valores e ver o que poderemos pagar”.

Sobre a natural expectativa popular de que todos os problemas sejam resolvidos rapidamente, já que o Poder Público assumiu a responsabilidade, Pimenta entende que ela vai existir. Ele negou que o prefeito vá formar uma chapa com pessoas ligadas a ele e seu grupo político para assumir a direção do hospital, após terminada a intervenção. “O prefeito relutou muito em fazer esta intervenção, isso é notório que não queria. Se não fosse obrigado, não faria intervenção, que gera desgaste para ele”, discursou.

Ao saber que os médicos haviam acabado com a paralisação, o que teoricamente dispensava a intervenção, Pimenta argumentou que “isso aí, a ‘greve’, não é a condição ‘sine-qua-non’ da intervenção. E nem sei se pararam a greve para não haver intervenção”. Sobre um provável plano “B” que, consta, o prefeito teria alardeado pela cidade, Pimenta respondeu: “Plano ‘B’? Depende o ‘B’. Não chegamos (a ele) ainda, estamos iniciando o plano ‘A’, que é a intervenção”. Depois, voltou ao discurso oficial: “Ele (o prefeito) relutava para não fazer a intervenção. E eu desconheço o plano ‘B’. Eu conheço o plano ‘não teve solução, fazer a intervenção’”, reiterou.

Cobrado sobre a não oficialização da intervenção à então provedora, Pimenta disse que “a comunicação foi feita pelo administrativo, ela não foi, marcamos horário, houve publicidade, não pode alegar que não sabia do horário. Não foi notificada porque não quis receber ou não foi procurada. É uma questão técnica”, falou, sem muita convicção e desconhecendo que a notificação havia sido feita, por determinação do prefeito Geninho (DEM), ao administrador Mário Flores, chamado, inclusive, de “sua excelência”, no ofício.

Reclamou por que o acordo dos médicos não estava em suas mãos. Disse que o corpo de funcionários continua trabalhando normalmente, porque “eles são a alma da Santa Casa”, e garantiu que não haverá “nenhuma medida contra eles”. “Esperamos que nos ajudem”, pediu. Perguntado sobre quais as outras questões elencadas pelo Ministério Público, além da paralisação, que ele chamou o tempo todo de “greve”, disse não ter em mãos.

Mas se lembrou da UTI, “que podia ser fechada”, da reestruturação do próprio hospital, e do “prejuízo de R$ 500 mil (do ano passado, na verdade R$ 574.346,50)”. Descartou uma possível auditoria – “Tenho a impressão que não seja necessário, apesar da recomendação do MP, mas dependendo dos dados que estivermos em mãos, acho que vai ser possível apurar tudo”. Prometeu trabalhar pelo aumento de leitos junto com os governos Federal e Estadual, “para ver o que fazer”. “O que não pode ficar é esta insegurança dos últimos anos”, bravateou.

Quanto ao Hospital do Olho, disse ter “a impressão que sim”, ele poderá ser credenciado, “porque a intervenção não vai atrapalhar o andamento da Santa Casa”. Mas, se não puder credenciar, “o mais rápido possível soltamos as eleições”, garantiu. Além de Pimenta como interventor-presidente e de Eudirce Benatti como interventora-tesoureira, a equipe conta ainda com Marcelo Elias Najem Galette como interventor-secretário, e a enfermeira Rosa Maria de Carvalho, como interventora-técnica. Sobre os diretores clínico e técnico do hospital, Pimenta disse que a escolha de nomes ficará por conta deles mesmos, embora a diretoria técnica seja atribuição da diretoria do hospital designar. “Quem quiser nos ajudar será bem vindo”, finalizou.

 
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