Política
‘Tenho a impressão que ele queria me tirar de lá’
08/03/10
Esta foi a reação da ex-provedora Helena Pereira falando sobre a intervenção
A ex-provedora da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, advogada Helena de Sousa Pereira, se mostrava bastante chocada com os acontecimentos minutos antes da tomada do hospital pelo Executivo Municipal. “Não tenho idéia do que está acontecendo. Nem imagino”, respondeu ela à pergunta do Planeta sobre as reais motivações do prefeito Geninho (DEM). “Mas, tenho a impressão de que ele queria me tirar de lá”, complementou. A ex-provedora disse também que se sentiu desrespeitada em sua função, porque a notificação da intervenção não foi endereçada a ela, mas, sim, ao administrador do hospital, Mário Flores.
Endereçado “À sua excelência” Mário Flores, administrador do hospital, a notificação recebeu a ciência dele às 14 horas da quinta-feira, 4. “Até vi a pessoa que chegou com a notificação. Disse a ela que era para mim que tinha que entregar, mas ela foi bastante clara, ao dizer que tinha ordens para entregar ao Mário”, relatou Helena. “Então, não senti necessidade de ficar à espera do interventor, já que me colocaram como parte não interessada na questão”, completou.
ACORDO
O advogado Gilson Eduardo Delgado, representante dos médios na causa, informou ao Planeta que os 33 profissionais haviam feito acordo com a Santa Casa, aceitando os R$ 50 mil oferecidos, de forma escalonada, até chegar ao final ao 1/3 do que ganha um plantonista presencial, conforme planejam. O acordo foi acertado na quarta-feira à noite, o termo foi redigido e protocolado na quinta de manhã junto ao processo judicial, no Fórum. Com a decisão dos médicos voltarem aos plantões de disponibilidades a partir de ontem, sexta-feira.
Teoricamente, a partir daí não haveria mais necessidade da intervenção. “A Helena até assumiu a responsabilidade de trazer novos médicos aos plantões”, disse o advogado ao Planeta quinta-feira no começo da tarde. “Não interessava a ninguém a intervenção, porque vai levar um bom tempo para eles tomarem pé da situação”, observou Delgado.
NÃO ERA SÓ OS MÉDICOS
Apesar de que a causa principal de todo este ‘imbróglio’ tenha sido a paralisação dos 33 médicos do corpo clínico da Santa Casa, o que trouxe o promotor Gilberto Ramos de Araújo Júnior para o centro das discussões, agora, para justificar a “recomendação” para a intervenção, ele diz que não é só pelos médicos que a direção do hospital foi tirada das mãos da atual diretoria, que o dirigia já há quatro anos. Em entrevista divulgada como “exclusiva” a um site de notícias especializado em informações oficiais do Governo, Ramos Júnior disse, entre outras coisas, que “a intervenção vai além da questão dos médicos”.
Os outros problemas alegados pelo promotor em seu documento, já existiam há décadas e ele próprio detinha estas informações, que lhe foram entregues pela própria provedora, desde quando assumiu. Mas o promotor diz que estes problemas também o motivaram, após a deflagração da paralisação. Ramos Júnior elencou na sua “recomendação” o déficit financeiro e os leitos da Unidade de Terapia Intensiva-UTI caso que, conforme relata, “já existe um procedimento aberto nesta Promotoria, anteriormente”.
Ramos confirma que os médicos haviam protocolado o acordo na quinta de manhã, mas disse que não se lembrava da hora do fato. Segundo o promotor, o fim da paralisação não cessava o objeto da intervenção. Ramos Júnior adiantou que “a intervenção será acompanhada pela promotoria, fiscalizando o seu trabalho, e avaliando a qualidade do serviço prestado à população”.
|